! Grau de investimento agora 'surpreende' e permite valorização geral de ativos, mas realização de lucros é esperada em breve - 30/04/2008 - UOL Economia
 

30/04/2008 - 17h48

Grau de investimento agora 'surpreende' e permite valorização geral de ativos, mas realização de lucros é esperada em breve

da Redação
Que o Brasil estava perto de atingir o grau de investimento pelas agências internacionais de classificação de risco, já se sabia. Mas, na análise do economista Roberto Padovani, do banco West LB, foi uma surpresa que ela viesse neste momento, em pleno desenrolar da crise financeira nos Estados Unidos.

Já para o economista Alex Agostini, da Austin Rating, a nova classificação do Brasil surpreendeu porque veio antes do que se imaginava, mas não por conta da crise americana. "O Brasil melhorou muito com relação aos indicadores de desligamento. O país conseguiu, de certa forma, se descolar das economias industrializadas no que diz respeito a atração de investimentos", afirmou.

ECONOMISTA ANALISA
Segundo Padovani, o feito permite avanços adicionais em termos de ganho de capital e em termos de investimentos ao país. "O grau de investimento também permite uma valorização geral dos ativos brasileiros", disse.

Agostini acredita que, motivada pela decisão, a Bolsa de Valores de São Paulo supere 70 mil pontos. Padovani, porém, avalia que, depois de um primeiro momento de alta valorização na Bolsa, como ocorreu nesta quarta, os próximos dias do mercado financeiro devem apresentar movimentos de realização de lucros por parte dos investidores, que podem provocar quedas nos índices de ativos.

Agostini vê pontos positivos e negativos na decisão. Segundo ele, o ambiente mais seguro deve gerar maior entrada de dólares no país e conseqüente valorização da taxa de câmbio. "Pode chegar naturalmente a R$ 1,50, prejudicando as exportações de um lado, mas por outro lado ajudando a combater a alta da inflação", explicou.

Continuidade
A melhora da nota do Brasil, na avaliação de Padovani, é reflexo da estabilidade econômica que o país atingiu e da seqüência de política econômica colocada em prática desde 1994. Opinião semelhante tem o economista da Austin Rating, para quem a continuidade entre os governos e o ambiente econômico austero colaboraram com a decisão.

AJUDA NA INFLAÇÃO
Para Agostini, isso deve mudar, a partir de agora, a visão dos investidores que desembarcarem no país. "O Brasil vai poder trabalhar com investidores que estão acostumados já com títulos, vencimento de dívidas de longo prazo. Não muda o perfil do investidor, mas a visão dele com relação à dívida do Brasil, que apesar de elevada, tem uma expectativa positiva de redução ao longo do tempo", disse.

Padovani afirma ainda que as principais agências de classificação de risco, "historicamente, caminham na mesma direção", o que deve levar outras agências, com a Fitch e a Moody's, a darem o grau de investimento ao Brasil depois da decisão anunciada nesta quarta pela Standard & Poor's. "Ainda que possam demorar um pouco mais, a tendência é de seguirem o mesmo rumo."

Para o economista do West LB, havia indicadores de que a crise financeira "atrapalharia o momento em que o 'investment grade' viria". "Isso é um sinal de que a crise financeira não vem afetando o crescimento global de modo sério", afirmou. "Isso reforça o cenário de que a economia mundial vai bem, apesar da crise financeira nos EUA."

Padovani disse que o governo atual vem capitalizando de modo geral todos os dados macroeconômicos positivos e que não deve ser diferente com o grau de investimento, mas ressaltou que o fato é decorrência de "políticas responsáveis" que o país vem adotando desde 1994.