! FMI diz que o pior da crise ainda está por vir e pede medidas dos bancos centrais - 07/10/2008 - UOL Economia
 

07/10/2008 - 10h51

FMI diz que o pior da crise ainda está por vir e pede medidas dos bancos centrais

Da Redação
Em São Paulo
Um relatório divulgado nesta terça-feira pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere que o pior da atual crise financeira global ainda está por vir. O documento, intitulado "Estabilidade Financeira Global", afirma que o sistema financeiro atravessa "um período de turbulências sem precedentes" e prevê que bancos em todo mundo continuarão a registrar fortes perdas.

O FMI ressaltou a determinação dos governos em responder aos atuais desafios, mas disse que "a restauração da estabilidade financeira se beneficiaria de um comprometimento coletivo das autoridades, que devem tratar o problema com eficiência".


Para o diretor do fundo, Dominique Strauss-Kahn, "o tempo das soluções à conta gotas chegou ao fim", diz.

"Eu peço aos legisladores que tratem esta crise com medidas abrangentes que restaurem a confiança no setor financeiro. Ao mesmo tempo, os governos nacionais devem coordenar de perto esses esforços para trazer de volta a estabilidade do sistema financeiro internacional."

Na avaliação do FMI, ficará cada vez mais difícil para as instituições bancárias abastecerem seus caixas com capital proveniente de acionistas ou de fundos de investimentos estatais baseados na Ásia ou no Oriente Médio.

Com a crise do crédito e a confiança em baixa, os bancos enfrentarão dificuldades para captar capital, o que significa que governos terão de se envolver cada vez mais em operações de resgate, como a que salvou os bancos hipotecários americanos Fannie Mae e Freddie Mac.

O relatório do FMI demonstra apoio às linhas gerais do pacote de ajuda econômica de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso americano na semana passada, mas ressalva que os "detalhes de sua implementação serão cruciais para seu sucesso".


O estudo diz que os Estados Unidos continuam no "epicentro da crise" e que o declínio contínuo no mercado imobiliário americano e a desaceleração da economia global devem aumentar o número de inadimplências de hipotecas e de outros tipos de empréstimos.

O FMI estima que as perdas nos Estados Unidos originadas de empréstimos e outros produtos financeiros devem chegar a US$ 1,4 trilhão, um aumento significativo em relação aos US$ 945 bilhões estimados no relatório divulgado em abril deste ano.

Para a instituição, os mercados emergentes estão correndo sérios riscos e países do leste europeu também poderão ser seriamente atingidos diante do grande número de empréstimos hipotecários concedidos por bancos a pessoas de baixa renda.

O relatório faz algumas recomendações com objetivo de tentar ajudar as autoridades a resgatar a confiança "nessas circunstâncias excepcionais".

Entre elas estão respostas rápidas, por parte dos governos, aos primeiros sinais de perdas no setor financeiro como forma de evitar "repercussões sistêmicas", e a garantia de que intervenções governamentais de emergência sejam temporárias e que os interesses dos contribuintes sejam protegidos.

"Para atenuar as dificuldades de financiamento interbancário, os poderes públicos deveriam adotar medidas que busquem remediar ao mesmo tempo os problemas indissociáveis de crédito e de liquidez", afirma.

A crise do crédito, ao provocar o aumento das taxas pelas quais os bancos fazem empréstimos entre eles, reduziu o alcance do instrumento tradicional da política monetária, as taxas básicas, opina a instituição dirigida por Dominique Strauss-Kahn.

"As facilidades de empréstimos dos bancos centrais que buscam restaurar o funcionamento dos mercados interbancários para transmitir a política monetária devem ser concebidas com cuidado".

"Os bancos centrais deveriam estimular os participantes nos mercados a começar a realizar transações entre eles e, em conseqüência, permitir uma saída ordenada do banco central uma vez que se acalmem as tensões mais extremas", segundo o FMI.

Com informações da AFP e BBC