! Amorim diz que Equador vai continuar pagando dívida com o Brasil até o julgamento - 09/12/2008 - UOL Economia
 

09/12/2008 - 13h50

Amorim diz que Equador vai continuar pagando dívida com o Brasil até o julgamento

Da Redação
Em São Paulo
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que o Equador continuará pagando o empréstimo de US$ 243 milhões que fez com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para construir a Usina Hidrelétrica de San Francisco até que a Câmara de Comércio Internacional julgue o pedido de suspensão da dívida feito pelo do presidente equatoriano, Rafael Correa.

"Houve muitas expressões dizendo que o Equador já teria dado um calote, mas o que ouvimos de maneira formal por parte do embaixador do Equador é que ele pretende pagar as parcelas até que haja uma decisão da Corte, que pode ser do mérito, a longo prazo, ou cautelar, julgada antes. Não houve ainda uma decisão de não pagar enquanto a Corte não se pronuncia", disse durante audiência no Senado.


Segundo Amorim, se outros países latinos optarem por rever os contratos de financiamento das obras de infra-estrutura, assim como está fazendo o Equador, o Brasil irá reagir.

"Se o país espera ter uma cooperação com o Brasil, e o Brasil, vamos ser francos, é hoje uma das poucas fontes de crédito para alguns dos países da América do Sul, é natural que a gente vá agir. Não é por retaliação. Não há nenhum espírito de retaliação. Mas por prudência", afirmou.

Amorim falou, no entanto, que não houve nenhuma declaração formal dos países da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alba) de calote e reforçou que a política de crédito do governo brasileiro com os vizinhos sul-americanos faz parte da política de integração. Fazem parte da Alba Venezuela, Nicarágua, Cuba, Bolívia e Honduras.

O que aconteceu, destacou Amorim, é que alguns países começaram a prestar solidariedade ao Equador e apoiarauditoria da dívida externa. O ministro disse que explicou aos países da Alba que essas atitudes prejudicariam as relações desses países com o Brasil, dificultaria as relações comerciais e futuros empréstimos do Brasil a esses países.

Mas um próximo candidato a não quitar a dívida que possui com o Brasil é o Paraguai. Hoje, o presidente do país, Fernando Lugo, pôs em dúvida a legitimidade da dívida externa do Paraguai, principalmente a de US$ 19 bilhões contraída com o Brasil na construção da hidrelétrica Itaipu, e anunciou sua intenção de estudá-la "exaustivamente" e, se for o caso, de impugná-la.

"Muitas das nossas dívidas já foram pagas", declarou Lugo a jornalistas de seu país, anunciando que ordenou a criação de uma equipe econômica para estudar o tema com seriedade.

Sem afirmar que seguirá os passos de seu colega equatoriano, Rafael Correa, que anunciou que não pagará a dívida contraída por seu país com o BNDES, Lugo insistiu em que a dívida dos países latino-americanos tem de ser estudada com cuidado.

Sobre isso, o ministro afirmou que o Brasil pretende manter a paz com o país vizinho, mas afirmou que um possível cancelamento da dívida paraguaia com o governo brasileiro é "irreal".

"Eles têm sempre insistido, achando que a dívida é ilegítima", disse acrescentando que, segundo o governo paraguaio, a dívida seria de US$ 27 milhões, o saldo seria de US$ 18 milhões e já foram pagos US$ 45 milhões.

"A proposta não pode ser aceita. O Brasil não aceita o argumento de que a dívida é espúria. Também não aceita o argumento de que a soberania energética do Paraguai só acontecerá se eles puderem vender energia para outros países além do Brasil. Essas duas pretensões nos parecem totalmente irrealistas", destacou.

O presidente boliviano, Evo Morales, tomou recentemente uma decisão parecida, ao nacionalizar os campos explorados pela Petrobras no país andino.

"A questão da dívida internacional dos países está ocupando cada vez mais espaço na agenda internacional. O Equador é um desses países, e nós também. Mesmo que a dívida do Paraguai não seja tão alta (US$ 2 bilhões), acreditamos que muitas das nossas dívidas já foram pagas", declarou Lugo.

(Com informações de AFP, Agência Brasil e Valor Online)