! EUA abrem caminho para estatizar bancos a partir de quarta-feira - 23/02/2009 - UOL Economia
 

23/02/2009 - 15h18

EUA abrem caminho para estatizar bancos a partir de quarta-feira

Da Redação

Em São Paulo
O Tesouro americano anunciou nesta segunda-feira as novas modalidades de socorro aos bancos em crise. Se o setor privado não tiver interesse ou dinheiro suficiente, o governo vai emitir ações para ter controle sobre os bancos —um caminho aberto para a estatização.

Essas modalidades de socorro, que explicam como o Tesouro levará adiante o plano de estabilidade financeira votado pelo Congresso em outubro, serão aplicadas a partir desta quarta-feira.


As autoridades americanas consideravam nesta segunda-feira a possibilidade de uma nacionalização dos bancos que enfrentam maiores dificuldades, uma eventualidade há muito tempo discutida, mas que o Tesouro quer evitar fazendo um apelo aos capitais privados.

O "Plano de Assistência em Capital", sobre o qual foram anunciados detalhes, oferece o esperado esclarecimento, já que a questão da nacionalização dos bancos foi intensamente debatida nos Estados Unidos nas últimas semanas.

O Tesouro explicou que nacionalizará bancos apenas em último caso. A primeira etapa consistirá em avaliar "as necessidades em capitais dos grandes estabelecimentos bancários americanos (...) no contexto econômico mais difícil".

Para os bancos com necessidade de capital, haverá "oportunidade de buscar, primeiro, fontes privadas de capital", explicou o Tesouro. Se a oferta privada não for suficiente, as finanças públicas serão colocadas à disposição.

Se Washington tiver que intervir, "qualquer capital do Estado será de ações preferenciais obrigatoriamente conversíveis, que serão convertidas em ações ordinárias somente se isso se mostrar necessário com o tempo para manter os bancos em uma posição bem capitalizada", indicou o Tesouro.

Até lá, o Estado se contentaria com ações preferenciais não-conversíveis, que não lhe ofereceriam direito de voto.

Se o Tesouro tiver que injetar capital, já se advertiu que "não está previsto que a situação seja mantida permanentemente". O Estado vai continuar a exigir dos bancos que eles readquiram suas ações preferenciais desde que suas finanças os permitam.

Essa novidade política poderá conduzir o Estado a se tornar o acionista de referência dos bancos que estão em dificuldades maiores, nos quais o setor privado não desejar mais investir.

"Por que não arriscar e nacionalizar? (...) O controle de longo prazo pelo Estado não é o objetivo: como os pequenos bancos resgatados pela FDIC (autoridade de regulamentação bancária) a cada semana, os grandes seriam devolvidos ao setor privado quando fosse possível", considerou no domingo o prêmio Nobel de Economia americano Paul Krugman.

Os mercados já consideram essa opção para os dois bancos nos quais Washington injetou mais dinheiro, o Bank of America e o Citigroup, que receberam US$ 45 bilhões cada um.

A queda de seu valor na Bolsa desde o início do ano reflete amplamente a crença de que, para retirá-los de grandes dificuldades, o Estado deve readquiri-los a preços baixos antes de reestruturá-los, como foi o caso da seguradora AIG.

No domingo, o "Wall Street Journal" afirmou que, no Citigroup, as autoridades americanas pretendiam adquirir de 25% a 40% do capital.

Contatado pela agência de notícias AFP, o banco não comentou essa informação, reiterando que tinha "uma base de capitais sólida".

As autoridades americanas se engajaram neste caminho com uma reticência evidente.

"Porque nossa economia funciona melhor quando as instituições financeiras são bem administradas pelo setor privado, o objetivo do Programa de Assistência em Capital é que os bancos permaneçam em mãos privadas", concluiu o comunicado comum do Tesouro, da FDIC, do Federal Reserve, e de duas autoridades reguladoras dos bancos submetidas ao Tesouro.

(Com informações da AFP)