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10/03/2009 - 12h10

Brasil deverá entrar em recessão técnica no final do 1º trimestre, diz economista

Ana Carolina Lourençon Andrade
Em São Paulo
O Brasil deverá entrar em recessão técnica (caracterizada por dois trimestres consecutivos de retração) no final deste primeiro trimestre, contrariando as expectativas de que a crise passaria longe do país, segundo avaliação de Roberto Luis Troster, sócio da consultoria Integral-Trust. Para ele, a forte contração de 3,6% no PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre de 2008 será carregada para este ano fazendo com que a economia brasileira apresente recuo pelo menos nos três primeiros meses.

"Há uma série de indicadores que colaboram para a retração continuar no primeiro trimestre de 2009, como a desaceleração da indústria (que deu uma das maiores contribuições negativa para o resultado do PIB, com encolhimento de 7,4% no quarto trimestre), a redução na área plantada, safra menor e preços mais baixos", afirma.


Para o economista do Ibmec São Paulo José Luiz Rossi, os efeitos da retração no final do ano passado deverão ser sentidos também ao longo de 2009, pois o resultado veio "muito ruim".

"Embora a maioria das previsões já apontasse para um resultado negativo, os 3,6% vieram muito acima das expectativas e, mesmo que haja uma recuperação, vai começar de uma base muito baixa e não será proporcional à queda. Mesmo que a economia apresente indicadores melhores e o Copom reduza mais os juros, não será suficiente para chegar a dezembro com números bons", diz.

Por conta da divulgação do PIB nesta terça-feira, muitas projeções para o encerramento de 2009 já foram modificadas.

Segundo Troster, que esperava antes um crescimento de 1%, a economia deverá terminar o ano com números negativos.

De acordo com reportagem publicada pela Folha nesta terça-feira, a equipe do Ministério da Fazenda também reviu suas projeções, embora não tão drasticamente.

A área econômica do governo agora prevê expansão entre 2% e 2,5%, contra os 4% estipulados anteriormente como "meta" pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega (texto disponível para assinantes do UOL ou da Folha).

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) acredita em um crescimento próximo de zero por conta do ajuste que a crise está provocando na economia brasileira, mas avalia que ainda assim o país deverá se sair melhor do que as demais economias.

Juros
Os números do PIB também devem forçar uma decisão mais incisiva por parte do Copom (Comitê de Política Monetária) em reunião que começa hoje e termina amanhã. Rossi diz acreditar que o órgão possa optar por um corte de pelo menos 1,5 ponto percentual na taxa básica de juros, que está em atuais 12,75% ao ano.

No último boletim Focus divulgado pelo Banco Central, o mercado apostava que a redução seria de um ponto percentual.

Consumo em queda livre
Outro fator que chamou a atenção dos economistas e não deve mostrar recuperação tão em breve é o item consumo das famílias, que se retraiu 2% em comparação ao terceiro trimestre, na primeira queda desde o segundo trimestre de 2003.

"Parte do consumo brasileiro estava sendo financiado pelo crédito que, por conta da crise mundial, praticamente secou. Além disso, existe uma insegurança na sociedade quanto ao tamanho da crise e seus efeitos, principalmente no emprego, e preferiram poupar. Por isso, enquanto essa incerteza prevalecer, o consumo continuará caindo", diz Rossi.

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