! Presidente da GM no Brasil diz que empresa não será vendida nem dependerá da matriz - 02/06/2009 - UOL Economia
 

02/06/2009 - 16h24

Presidente da GM no Brasil diz que empresa não será vendida nem dependerá da matriz

Maurício Savarese

Em São Paulo
O presidente da General Motors do Brasil e operações Mercosul, Jaime Ardilla, afirmou nesta terça-feira que a filial brasileira da montadora americana não será vendida nem dependerá de investimentos da matriz pelos próximos cinco anos porque consegue se sustentar sozinha.

"Nunca se pensou nisso, (vender a GM do Brasil) não faria o menor sentido", disse o executivo em entrevista coletiva na sede da empresa em São Caetano. "A GM no Brasil é lucrativa, na China é lucrativa. Nessas unidades não precisamos de recursos da matriz por um bom tempo e podemos caminhar tranquilamente com os nossos próprios meios."


Segundo o executivo, os consumidores brasileiros não serão afetados pela concordata da GM norte-americana, anunciada ontem, porque a filial no Brasil é "saudável".

"Para o consumidor não muda nada. Não vamos tirar nenhum carro da linha e não vamos ter problemas com peças porque elas são todas feitas no Brasil", disse.

Ele acrescentou que a montadora está sendo lucrativa em 2009, depois de ter registrado seu melhor ano em 2008.

"Nos primeiros cinco meses deste ano, nosso resultado foi até acima do esperado. O mercado está aquecido e não vemos perspectivas de mudança neste cenário", afirmou.

Impacto da crise e relação com a Europa

Ardila afirmou que para a montadora no Brasil, o impacto mais pesado da crise é a queda de 55% nas exportações para a América Latina e África do Sul entre janeiro e maio deste ano em comparação com igual período de 2008.

"Isso foi efeito da crise. Mas não sentiremos efeitos vindos dos Estados Unidos e Europa porque não exportamos serviços para lá. Só vendemos serviços como tecnologia para carro flex e engenharia", disse.

Nos últimos três anos, declarou ele, a GM do Brasil teve receita líquida com exportação de tecnologia de US$ 430 milhões. "Não importamos nada de tecnologia do exterior nesses últimos anos", completou.

O executivo negou que a venda da Opel, braço europeu da GM, vá afetar os negócios da operação brasileira da montadora. Ele disse que as peças dos veículos brasileiros são produzidas no país e que a GM tem no Brasil um dos centros de tecnologia mais modernos do mundo, o qual permite independência em relação aos modelos projetados no exterior.

"A informação de que temos modelos iguais aos deles é errada. Para lá nós só exportamos tecnologia. O Meriva, por exemplo, foi inteiramente feito aqui e muita gente acredita que foi feito pela Opel. Não foi. Isso serve para mostrar que nossa produção não será afetada e que temos tudo que é preciso para fazermos nossos carros aqui", disse.

Nem todos os especialistas do mercado automotivo concordam com a afirmação do executivo da GM.

"A GM Brasil é 99% dependente do desenvolvimento de produtos europeus", afirmou em entrevista ao UOL o analista e vice-presidente da consultoria Kaiser Associates, David Wong.

"Ela precisa muito da base tecnológica da Opel, que é a filial europeia da GM. Com a venda da Opel, a GM americana terá que desenvolver muito mais a tecnologia da filial brasileira, além de fazer mudanças e adaptações para que ela consiga funcionar."

Investimento mantido

Com relação a investimentos, Ardilla diz que o montante de US$ 2,5 bilhões programado para o período de 2007 a 2012 será mantido, dividido entre Brasil e Argentina. Desse valor, US$ 1,5 bilhão já foram aprovados e US$ 1 bilhão ainda será confirmado nas próximas semanas. O presidente disse que a empresa tem em caixa a quantia que falta para completar o valor planejado.

A respeito dos empregos na montadora brasileira, Ardila avisou que não tem interesse em fazer nenhuma mudança.

"Não estamos considerando mudar o nível atual. A empresa tem um acordo com o governo de manter os funcionários até o período de IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) reduzido, que termina no fim deste mês", afirmou, sem dizer, no entanto, se a partir de julho estes funcionários serão dispensados caso não haja prorrogação da medida por parte do governo.

(Com informações da Reuters)