! Celso Amorim admite interesse do Brasil na OPEP e vê na crise uma luz para Doha - 25/01/2008 - AFP - Economia

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25/01/2008 - 14h29

Celso Amorim admite interesse do Brasil na OPEP e vê na crise uma luz para Doha

DAVOS, Suíça, 25 Jan 2008 (AFP) - A crise financeira internacional e as eleições nos Estados Unidos podem acelerar a conclusão da rodada de Doha em vez de prejudicá-la, algo que muitos temem afirmou o chanceler brasileiro Celso Amorim em Davos.

Amorim também admitiu o interesse do Brasil em participar da OPEP, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Segundo ele, a participação brasileira serviria não para pressionar por preços altos, mas para ter influência nas políticas mundiais sobre o petróleo.

Quando ouvido sobre a possibilidade de o Brasil entrar na OPEP, Amorim lançou um "Por que não? Vamos ver", disse.

No entanto, afirmou que "participar de um cartel que tenha objetivos como aumentar preços e coisas do gênero (...) não faz parte de nossa visão".

"O Brasil quer participar de um grupo de países que tenha influência nas políticas petroleiras" e atenda as "necessidades de abastecimento dos países mais pobres", explicou.

Imediatamente depois do descobrimento de gigantescas reservas de petróleo no Brasil, em novembro passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que seu país está interessado em ingressar na OPEP para influir na política mundial do petróleo.

A descoberta da jazida de Tupi (na Bacia de Santos, sul do Brasil) com uma capacidade produtiva estimada entre 5.000 e 8.000 milhões de barris de petróleo, faria com que o Brasil estivesse entre o 7º e o 10º lugar em termos de reservas mundiais, disse à AFP o diretor financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa.

Quanto ao futuro das negociações de Doha, Amorim explicou: "Quando você está com febre, às vezes é mais difícil tomar um medicamento, mas é mais necessário", em referência à crise financeira que abala o mundo.

"As eleições nos Estados Unidos também podem ser um fator de aceleração das negociações para um acordo na Organização Mundial do Comércio (OMC)", acrescentou.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, um dos quatro grandes protagonistas das negociações da rodada de Doha, junto aos colegas da União Européia (UE), Índia e Estados Unidos, advertiu contra um protecionismo que poderia culminar em uma crise mundial como a de 1929.

"A crise financeira econômica pode trazer uma tentação protecionista, mas pela história sabemos que isto resulta em crises piores. Foi o que aconteceu em 29", disse.

"Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos não se vai negociar nada, nem chegar a um acordo sobre Doha, mas é possível definir linhas políticas em reuniões bilaterais", disse Amorim.

A desaceleração econômica americana e a crise financeira mundial dela decorrente tornam ainda mais urgente a rodada de Doha, afirmou.

O chanceler se reunirá por separado, nesta sexta-feira e sábado, com Peter Mandelson, comissário europeu do Comércio, Susan Schwab, representante do Comércio americano, Kamal Nath, ministro indiano do Comércio, e com o secretário-geral da OMC, Pascal Lamy.

O número um da ONU também fez declarações neste sentido. "O risco de protecionismo seria mais elevado se houvesse uma recessão" nos Estados Unidos, primeira economia mundial, como temem os mercados, advertiu.

A rodada de Doha, lançada em 2001, está paralisada há alguns anos por causa da divergência entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos na questão agrícola.

As negociações deveriam ter sido concluídas no fim de 2004, mas a OMC não espera um resultado antes do fim de 2008.

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