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10/06/2009 - 18h58

Brasil anuncia empréstimo de US$ 10 bilhões ao FMI

O Brasil vai emprestar US$ 10 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI) por meio da aquisição de bônus, anunciou nesta quarta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Depois de ter recorrido ao Fundo diversas vezes em sua história, esta é a primeira vez que o Brasil vai emprestar recursos à instituição - o que, segundo Mantega, demonstra a solidez da economia nacional. "Diante de uma crise desta envergadura, o Brasil está encontrando condições de solidez para poder emprestar recursos ao Fundo", disse o ministro.

O empréstimo será feito por meio da aquisição de bônus do FMI, expressos em Direito Especial de Saque (DES), um ativo financeiro do Fundo.

"Assim que o Fundo terminar de produzir esses bônus, estaremos fazendo esse aporte de US$ 10 bilhões", disse Mantega. "Na verdade, é uma aplicação que o Brasil está fazendo com uma parte de suas reservas e dando uma disponibilidade financeira para o FMI." As reservas brasileiras superam US$ 200 bilhões. Ajuda Segundo o ministro, o empréstimo poderá ser usado para ajudar países emergentes, principalmente aqueles que enfrentam escassez de capital devido à crise econômica internacional.

Mantega disse ainda que esses recursos vão permanecer nas reservas do Brasil, que poderá utilizar esses US$ 10 bilhões em títulos em operações com o próprio FMI. A contribuição brasileira anunciada nesta quarta-feira é resultado da cúpula do G20 (grupo que reúne os países ricos e os principais emergentes) realizada no início de abril em Londres.

No encontro, ficou decidido que era necessário aumentar os recursos do FMI em US$ 500 bilhões para que o Fundo pudesse ajudar os países em dificuldades. A meta foi confirmada posteriormente durante a reunião de primavera do Comitê Monetário e Financeiro Internacional do FMI, realizada no fim de abril.

Segundo o Ministério da Fazenda, o valor de US$ 10 bilhões "corresponde, grosso modo, à cota brasileira no FMI, tomando como referência a cota aprovada na reforma concluída em abril de 2008" Em Washington, o diretor geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, elogiou o anúncio do governo brasileiro. "As autoridades brasileiras demonstraram grande liderança e envolvimento em todo o processo de reforma do FMI e de expansão de nossos recursos", afirmou.

"Fico satisfeito porque o Brasil está claramente mostrando seu forte apoio ao sistema financeiro e econômico internacional", acrescentou. "O Brasil, mais uma vez, reafirma seu forte papel como uma das principais economias de mercados emergentes."

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