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01/07/2008 - 20h00

Entenda o que é um fundo de participações e quais vantagens ele apresenta

SÃO PAULO - Cada vez mais popular no Brasil, o FIP (Fundo de Investimento em Participações) é caracterizado, principalmente, pela participação ativa nas empresas ou negócios em que investe.

Segundo a instrução 391 datada de 2003 da CVM (Comissão de Valores Imobiliários), o FIP é constituído em forma de condomínio fechado e os recursos sob sua administração são destinados à "aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas, participando do processo decisório da companhia investida".

Em outras palavras, isso significa que o fundo tem efetiva influência na definição da política estratégica e da gestão, através da indicação de membros do Conselho de Administração nas empresas das quais tem participação.

Complexo ou não?

Marcio Dreher, sócio da gestora Verax, explica que a maioria dos FIPs investe em empresas fechadas, praticando aquilo que também é conhecido como private equity. "Um FIP pode ser utilizado para comprar empresas endividadas, pode ser um fundo mezanino - que fica por um tempo pré-determinado participando da empresa - ou até mesmo investir em empreendimentos imobiliários", esclarece o gestor. A intenção do fundo é tirar proveito do potencial de crescimento de tais investimentos.

Já Fernando Camargo Luis, estrategista da Orbe Investimentos, completa a idéia dizendo " este tipo de fundo é bastante complexo, pois pode investir em quase qualquer tipo de ativo".

"Eu vejo ao contrário, os FIPs não são complexos, porque eles têm bem menos restrições. O gestor deve elaborar um regulamento bem definido, mas tem flexibilidade para fazê-lo de acordo com os interesses de investimentos", afirma Dreher.

Tipos de investimento

Ainda dentro do leque de opções que os FIPs podem apostar, Dreher explica: "Quando o fundo é constituído por imóveis ou PCH (pequena central hidrelétrica), por exemplo, cada uma dessas unidades é uma SPE (Sociedade de Propósito Especifico), como se fosse uma empresa com CNPJ e tudo".

"Tem FIPs que investem em tudo, mas no Brasil observamos mais FIPs com propósitos setoriais", ressalta Dreher.

Marco Fiori, sócio da Atrium, por outro lado, prefere apostar em portfólios com empresas de capital aberto "principalmente as de terceira linha, de baixa liquidez, com processo de recuperação, que podem ter rentabilidade bastante expressiva".

Perfil do investidor

Como os FIPs se constituem como fundos fechados, e geralmente o prazo de carência - para que se possa resgatar a aplicação - é de no mínimo cinco anos, os gestores dizem que o investidor, qualificado, que busca este tipo de aplicação deve acreditar no retorno a longo prazo.

Dreher, da Verax, aconselha quem deseja adquirir cotas de um FIP a observar que a liquidez desta categoria é muito menor. Além disso, o investidor deve ter em mente que as cotas mínimas são altas. "Eu mesmo vi um com boleto mínimo de R$ 100 mil", enfatiza Camargo.

Vantagens

Para Fiori, da Atrium, a vantagem de investir neste tipo de fundo é que o cotista participa do crescimento dos negócios em carteira, sejam de capital fechado ou aberto. "Este tipo de fundo oferece grandes oportunidades de ganho em relação aos fundos tradicionais de ações, pois buscam investimentos com alto potencial de maturação e retorno", avalia Fiori.

"O FIP pode ser montado por um investidor que quer investir em empresas iniciantes e promissoras, sem que o aporte precise ser direto, e também é uma forma de abrir a empresa para investidores", avalia Dreher.

"É vantajoso em relação ao investimento direto pela sua transparência e sua governança corporativa, pois tem custodiante e auditoria obrigatórios. Para a empresa também é bom, pois ela pode começar a ter contato com o mercado de capitais e se ela quiser fazer um IPO [Oferta Inicial de Ações] já tem níveis elevados de governança corporativa", esclarece o gestor da Verax.

"Eu vejo vantagem já pelo fato de este tipo de fundo ser obrigado a participar ativamente da administração dos negócios", considera Camargo que completa "tem mais chances de retorno, mas o risco também é maior, tudo vai depender da qualificação do gestor".

"Hoje a maioria dos investidores entra no mercado imobiliário dessa forma e não investindo diretamente na incorporadora. Cada empreendimento é uma SPE, então se a incorporadora ou a construtora falir, o empreendimento em si está a salvo", exemplifica Dreher.

Se o fundo investir em empresas fechadas, ele traz a vantagem de estar apostando em negócios com grande potencial de expansão, pois "as empresas ainda não são tão maduras quanto as que já são listadas na bolsa, que é a grande diferença entre investir em ações e investir num FIP", esclarece Dreher.

Bovespa Fonte: Thomson Reuters

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