! Energia solar para uso residencial é possível, mas ainda é cara - 02/07/2009 - InfoMoney
 

02/07/2009 - 11h20

Energia solar para uso residencial é possível, mas ainda é cara

SÃO PAULO - Apesar de cara, a implantação de sistemas de captação de energia solar para uso residencial ainda é considerada uma das melhores alternativas para economizar eletricidade e ajudar o meio ambiente. A conclusão é dos debatedores presentes na Comissão do Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle, do Senado, que organizou na última terça-feira (30) audiência pública para debater medidas para ampliar o uso da energia solar.

Foi consenso entre os presentes que a utilização da energia solar em residências é possível e está sendo implementada, de uma maneira ou de outra, no país. Assim, as discussões focaram no modo como esse sistema deve ser implantado e subsidiado e no questionamento das vantagens e desvantagens de substituir a energia elétrica pela solar.

Entre os presentes, encontravam-se os representantes do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Máximo Luiz Pompermeyer, do Greenpeace, Ricardo Baitelo, da Apine (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica), Mozart Siqueira, da Suframa (Zona Franca de Manaus), Ana Maria Souza, além dos senadores.

Projetos possíveis, mas caros

Para Ventura, sistemas de aquecimento de água em residências e edifícios, principalmente para substituir o chuveiro elétrico, compõem um projeto competitivo. No entanto, são necessários subsídios do governo, já que os equipamentos para a instalação do sistema são caros. Em contrapartida, o representante do Ministério de Minas e Energia não considera competitiva a substituição de energia elétrica pela solar.

Ele ressalta que tecnologias como a heiotérmica (que utiliza o calor solar) e as placas fotovoltáicas (que utilizam a luz do sol) custam entre US$ 300 e US$ 500 o quilowatt/hora, enquanto as hidrelétricas produzem energia que custa US$ 100 o quilowatt/hora, de acordo com a Agência Senado.

Siqueira, da Apine, também salientou os altos custos envolvidos na geração de eletricidade por meio de energia solar e destacou que, mesmo que a manutenção de equipamentos como os painéis fotovoltáicos não seja onerosa, o aproveitamento como produtor de energia não compensa os altos custos envolvidos na implantação do sistema.

No entanto, ele ressaltou que o aquecimento de água por meio da energia solar é viável e que é preciso estudar alternativas para substituir o chuveiro elétrico e a lâmpada incandescentes, considerados por ele como opções não-econômicas.

Pompermeyer, da Aneel, afirmou que a Agência mantém projetos que utilizam energia solar para substituição de chuveiros elétricos por meio de placas de coletor solar. Os investimentos, segundo ele, giram em torno de R$ 2 bilhões. Para Pompermeyer, a Agência tem como prioridade fornecer eletricidade pelo mais baixo custo possível e, para isso, ele defendeu a utilização do recuperador de energia, que economiza de 34% a 50% a energia gerada.

Preocupação com o meio ambiente

Ainda durante a audiência, os representantes das várias instituições mostraram-se preocupados em debater as melhores formas de produzir energia sem prejudicar o meio ambiente. O representante do Greenpeace, Ricardo Baitelo, defendeu que o país deve investir em energias solar e eólica, por poluírem menos. Para ele, os custos envolvidos na geração de energia solar estão caindo e, com isso, é possível que se obtenha a paridade tarifária entre essa energia e a elétrica.

Os senadores Maria Silva (PT-AC) e César Borges (PR-BA) também defenderam o investimento na geração de energia por meio de tecnologias mais sustentáveis e criticaram a matriz energética do país, que privilegia a produção por meio de termoelétricas.