! Little Brazil encolhe e mostra vida brasileira em NY na crise - 14/03/2009 - Lusa - Economia

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14/03/2009 - 09h11

Little Brazil encolhe e mostra vida brasileira em NY na crise

Por António Oliveira, da Agência Lusa

Nova York, 14 mar (Lusa) - Na rua 47 de Manhattan, conhecida por "Little Brazil", restam hoje apenas três restaurantes e uma loja de utilidades brasileira, muito longe do fulgor de há 10 anos no coração de Nova York.

Alfredo Pedro, proprietário do restaurante Ipanema, instalado há 29 anos nesta rua, diz à Agência Lusa que nunca viu as coisas "tão más".

"Esta é a maior crise de que tenho memória e nesta rua os brasileiros são cada vez menos", justifica.

"Os turistas brasileiros ainda vêm, mas onde se nota uma grande baixa é na comunidade, que deve estar reduzida em mais de 20% nos últimos meses", adianta.

Em Manhattan a comunidade brasileira não depende tanto do setor da construção civil, estando mais ligada ao bancário, finanças ou aos quadros de empresas brasileiras na cidade.

Uma volta pelos guias turísticos dá conta de mais de uma dúzia de restaurantes, bares e discotecas brasileiras desde a rua Houston, a sul, até à rua 87, mais a norte.

O mais famoso é o clube Sounds of Brazil (SOB), na rua Varick da Greenwich Village, que há 25 anos divulga os sons do Brasil e da América Latina na Big Apple e não tem sentido a crise, com noites habitualmente lotadas com turistas.

Outro ponto da cidade onde a presença brasileira é marcante é a loja de produtos fotográficos e audiovisuais BH Photo&Vídeo, na rua 34 com a 9ª Avenida.

Nesta que é uma da maiores lojas de material fotográfico do mundo, o sotaque brasileiro faz já parte da rotina entre os cerca de 4.000 clientes que diariamente cruzam as suas portas.

A loja tem uma seção em português na sua página na Internet, porque, afinal, 40% do total de vendas online da BH são dirigidas ao mercado brasileiro.

"Os turistas brasileiros continuam a vir e a comprar praticamente na mesma porcentagem", disse um dos vendedores da BH que fala português.

Já do outro lado do rio, na cidade de Newark, New Jersey, onde a comunidade brasileira se implantou no bairro ocupado por portugueses, o Ironbound, os sinais de crise são evidentes.

Daniela Arruda, uma brasileira de São Paulo proprietária de uma loja de cosméticos importados do Brasil, cuja clientela é sobretudo brasileira, diz à Lusa que nos últimos meses o negócio baixou mais de 20%.

"Os brasileiros têm regressado em grande número, pois não há trabalho e o que há paga salários tão baixos que não permite às pessoas viverem aqui decentemente", diz.

Guilherme, um garçom do restaurante Brasília, natural de Minas Gerais, diz também que a comunidade brasileira tem vindo a baixar significativamente nos últimos meses.

"As pessoas não têm trabalho e os ordenados baixaram, especialmente para os ilegais, por isso muitos decidiram regressar", explica.

"Mesmo com poucos recursos, viver no Brasil ainda é melhor do que estar aqui sem trabalho e sem esperança", adianta.

O Consulado do Brasil em Nova York tem apenas 11.657 inscritos, mas estima que residam cerca de 350 mil cidadãos brasileiros na área metropolitana.

Segundo Ronaldo Vilaça, proprietário da agência de viagens Namur Transfers, em Nova York, o envio de remessas e serviços de assistência ao emigrante confirma a redução de brasileiros.

Habituado a enviar remessas para o Brasil e a tratar da documentação dos brasileiros junto do Consulado do Brasil, Vilaça, cujo avô era português, diz que o negócio baixou mais de 30%.

"Muitos brasileiros sem documentos que chegaram nos últimos tempos com o objetivo de ficar quatro ou cinco anos a trabalhar e mandar dinheiro para construírem a casa, ou para a família, foram obrigados a regressar mais cedo, sem nada, porque não conseguem trabalho", afirma.

Para estes, o "sonho americano" terminou cedo, e quanto aos candidatos a emigrantes ainda no Brasil, esses já nem chegam a vir.

"Só podem vir sem documentos, pelo México ou pelas Bahamas", explica.

"Mas os passadores estão a exigir 25 mil dólares, o que torna quase impossível alguém arranjar esse dinheiro no Brasil para emigrar, sobretudo nesta altura quando não há garantia de trabalho", acrescenta.

Mesmo assim, Vilaça acha que a maioria da comunidade brasileira se vai aguentar na área metropolitana de Nova York: "Esta crise, para o brasileiro, é coisa pouca, estamos habituados a viver em crise permanente".

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