! Opep prevê manter cotas de produção em reunião em Luanda - 19/12/2009 - Lusa - Economia
 

19/12/2009 - 12h03

Opep prevê manter cotas de produção em reunião em Luanda

Luanda, 19 dez (Lusa) ? A capital angolana recebe, na próxima terça-feira, a 155ª reunião dos ministros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), sem previsão de alterar as atuais cotas de produção dos 12 membros do cartel.

A Opep é responsável por 79% das reservas mundiais da commodity e tem forte influência na definição dos preços nos mercados internacionais, através do alinhamento das cotas de produção em função do mercado.

Em termos práticos, isso significa que, em relação a Angola, com potencial produtivo de quase 2 milhões de barris diários, a organização decidiu situar a produção do país, no último ano, em 1,65 milhão de barris por dia.

Agências internacionais, porém, afirmam que a nação africana manteve sempre uma produção bastante acima do estipulado pelo cartel que preside até o final deste mês.

Para a reunião africana, o ministro angolano do Petróleo, José Maria Botelho de Vasconcelos, disse neste sábado que no topo da agenda está a análise do mercado petrolífero, e adiantou que não prevê qualquer alteração nas cotas de produção atualmente em vigor na Opep.

O ministro, que deixa nesta reunião a Presidência de turno do cartel, confirmou o que o representante do Kuwait, Sheikh Ahmad al-Sabah, já tinha informado em declarações à Bloomberg<\i>, em outubro, sobre a manutenção das atuais cotas durante a reunião de Luanda.

Em entrevista, Botelho de Vasconcelos disse que também serão analisadas na capital angolana questões ligadas às mudanças climáticas, as projeções do mercado petrolífero e a situação atual, bem como aspectos internos da organização.

"O ambiente que se vive e o sentimento que os vários países neste momento têm expressado leva-nos a crer que a política vai ser a manutenção da situação atual", explicou o ministro.

Aumento do preço do petróleo<\b>

Membro do cartel desde 2007, Angola conclui agora sua primeira Presidência de turno da Opep, deixando como marcas nestes 12 meses a passagem do país a maior produtor da África subsaariana e ainda a quase confirmação do desejo manifestado no início do ano por Botelho de Vasconcelos, que, à Lusa, apontava como preço meta do barril US$ 75.

Para o ministro angolano, a essência de sua missão quando deixou a Presidência era garantir que o cartel fosse capaz de manter os preços a um nível que permitisse aos produtores justificar os investimentos, ao mesmo tempo em que daria aos consumidores um valor aceitável.

Dos US$ 40 do preço do petróleo em janeiro, no começo da Presidência angolana da Opep, para o patamar atual, acima dos US$ 70, segundo fonte angolana do setor contatada pela Lusa, "pode-se concluir que foi um bom mandato na presidência da Opep".

A transferência do mandato ao Equador, que, com Angola, compartilha os dois últimos postos no ranking das reservas dos membros do cartel, "representa um bom momento perante as circunstâncias mundiais", acrescentou.

Para a reunião de Luanda, que ocorrerá no Centro de Congressos de Talatona, é esperada a presença da Rússia, como país observador.

Depois de ter atingido o recorde de cerca de US$ 148 em julho de 2008, o preço do barril de petróleo entrou em queda acentuada. Quando a Angola assumiu a Presidência da Opep, o valor era inferior a US$ 40.

Em janeiro, Botelho de Vasconcelos destacou que Angola e OPEP apostavam em "levar adiante um preço equilibrado", que "satisfaça os países produtores e que também possa satisfazer os países consumidores".

"Esse preço equilibrado é aquele em que os vários projetos de investimento possam ocorrer normalmente, que o preço em si não provoque perturbações tanto nos países produtores como nos países consumidores", defendeu.

Fazem parte da OPEP a Arábia Saudita, a Venezuela e o Irã, as três maiores reservas, além de Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Líbia, Nigéria, Qatar, Argélia, Angola e Equador.