! Morre Alexandre Kafka, ex-representante do Brasil no FMI - 30/11/2007 - Valor Online

UOL EconomiaUOL EconomiaÚltimas Notícias
UOL BUSCA

30/11/2007 - 17h40

Morre Alexandre Kafka, ex-representante do Brasil no FMI

BRASÍLIA - Morreu anteontem em Washington, aos 89 anos, o professor Alexandre Kafka, representante do Brasil junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) durante 32 anos. Bateu recorde não só nessa função, mas também como funcionário do Fundo, onde ingressou em 1949 e continuou a freqüentar mesmo depois de se aposentar.

Em 1998, quando foi substituído por Murilo Portugal na representação do Brasil, Kafka se aposentou. Em sua homenagem, o ex-diretor-geral do FMI Michel Camdessus baixou uma resolução elogiando sua longa dedicação ao Fundo e à comunidade internacional, e reservou a ele uma sala, onde ele ia todos os dias, mesmo aposentado.

O Banco Central também lhe prestou homenagem. Lançou em Washington, durante reunião anual do FMI em 1998, um livro com 254 páginas de depoimentos de Kafka, em formato de pergunta e resposta, resultado de 13 horas de gravação concedida por ele ao economista José Luciano Dias, da Fundação Getúlio Vargas.

Cidadão tcheco naturalizado brasileiro, Alexandre Kafka exerceu o cargo de diretor executivo do Fundo Monetário Internacional por três décadas. Ele foi indicado em 1966 para o posto pelo então ministro da Fazenda, Octávio Gouvêa de Bulhões.

Kafka veio para São Paulo em 1941. Era bacharel em economia pelo Balliol College (Oxford), e tão logo chegou ao país, foi convidado para dar aula de introdução à economia na escola de Sociologia e Política de SP, que tinha como presidente do Conselho de Curadores, o industrial Roberto Simonsen.

Eram poucos os economistas formados no país e recente a institucionalização da profissão. E já no período pós guerra, Kafka estava preocupado com a inflação no Brasil, que era pouco maior que 30% acumulada durante os quatro anos da Segunda Guerra.

Em 1944, convidado por Roberto Simonsen, Kafka foi trabalhar na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), para montar o Departamento de Estudos Econômicos. Em junho desse ano, em Bretton Woods , foram criados o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Interamericano de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), conhecido, também, com Banco Mundial.

Em depoimento à Fundação Getúlio Vargas (FGV), Kafka conta que, naquela ocasião, não se esperava que essas instituições fossem apropriadas pelos países ricos. Ele participou, ainda, da conferência de criação da organização Internacional do Comércio e da primeira reunião preparatória para a criação da organização Internacional do Café, ambas em Londres.

Em 1949, Kafka pediu a Bulhões que o recomendasse para o FMI, no que foi atendido. Passou um ano e meio na instituição, não gostou, e voltou ao Brasil. Dois anos depois recebeu o convite de Eugênio Gudin para organizar o Instituto Brasileiro de Economia, o Ibre , da Fundação Getúlio Vargas.

Uma das primeiras pessoas a ser convidada por Kafka para o Ibre foi Celso Furtado, que estava no Chile. Furtado declinou do convite, preferindo continuar no Chile. Kafka conciliou o trabalho na FGV com a função de conselheiro da Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc). E, também, como professor da Universidade do Brasil.

Gudin foi nomeado ministro da Fazenda em 1954 e convidou dois economistas para assessorá-lo: Kafka e Roberto Campos, que ficaram conhecidos como "os homens do biombo", por que trabalhavam na ante-sala do ministro, atrás de um biombo.

Em 1966, voltou ao FMI e assumiu o mandato de diretor executivo, representando, além do Brasil, outros oito países. Nesse período ele participou do debate sobre a criação da moeda do fundo, os Direitos Especiais de Saque (DES).

De 1964 a 1973 o Brasil fez vários acordos stand-by com o FMI, embora pouco utilizasse os recursos da instituição. Entre 1973 e 1982, não houve acordos, por absoluta falta de necessidade, até que aconteceu o setembro negro de 1982, quando o México quebrou, dando início a uma crise da dívida externa de proporção gigantesca, da qual o Brasil só saiu no início dos anos 90, com a renegociação com desconto da dívida externa.

Esse foi um período de intensa relação com o FMI, com sucessivos acordos assinados e metas e critérios de performance desobedecidos pelo governo brasileiro.

Durante o governo de José Sarney, as relações do Brasil com o FMI foram delicadas. O país decretou moratória da dívida externa em 1987. Não fluíam os entendimentos entre o então ministro da Fazenda, Dilson Funaro, e Kafka.

Entre 1985 e 1990, a política do governo brasileiro era de confrontação com o Fundo Monetário. O clima só melhorou com a saída de Zélia Cardoso de Melo e a sua substituição, no ministério da Fazenda, por Marcílio Marques Moreira, que costurou um novo stand-by com o FMI.

Entre 1994 e meados de 1998, na primeira fase do Plano Real, o FMI ficou ausente da política econômica brasileira. As crises da Ásia e da Rússia, associadas ao regime de taxas de câmbio administradas, levaram o país a uma situação falimentar às vésperas da reeleição de Fernando Henrique Cardoso, que bateu às portas do FMI. Nesse período, porém, Kafka já havia sido substituído no cargo por Murilo Portugal.

(Valor Online)

Bovespa Fonte: Thomson Reuters

Gráfico Bovespa

66910,711,14%

Mais bolsas

Cotações anteriores

Dolar Fonte: Thomson Reuters

Gráfico Dolar Comercial

R$ 1,569 -0,44%

Conversor de moedas

Mais sobre câmbio

Cotações anteriores

Hospedagem: UOL Host