! Sem usinas, emprego industrial de setembro foi o melhor em 17 meses - 14/10/2009 - Valor Online
 

14/10/2009 - 19h13

Sem usinas, emprego industrial de setembro foi o melhor em 17 meses

SÃO PAULO - A recuperação do nível de emprego no setor industrial de São Paulo em setembro foi bastante abrangente, tendo atingido 19 dos 22 setores analisados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O desempenho só não foi melhor por conta das vagas fechadas no setor sucroalcooleiro, onde foram apurados 1.057 empregos a menos no período. Já nos demais setores, foram abertos 15.057 postos de trabalho, configurando o maior volume absoluto de contratações desde abril de 2008, quando foram abertas 22.988 vagas. O desempenho do mês representa uma mudança em relação ao padrão deste ano. Isso também pode ser avaliado em dados regionais não ajustados sazonalmente. No interior de São Paulo, o emprego cresceu 0,61% e, na Grande São Paulo, a alta foi de 0,79%, levando a um aumento de 0,63% no nível de emprego do estado.

No acumulado de nove meses, os campos e usinas de cana-de-açúcar somaram 51.036 novos empregos. Já no conjunto dos demais setores houve encerramento de 94.036 postos. Dentre os que contrataram, chama atenção o desempenho das confecções de artigos do vestuário e acessórios, com 4.341 empregos a mais em setembro. No segmento denominado Produtos Diversos, que abriga indústrias de brinquedos, jóias, óculos e artigos para o lar, entre outros, foram abertos 849 postos, boa parte atribuídos ao segmento de brinquedos - dada a produção para o Dia das Crianças. Na indústria de veículos automotores, foram adicionados 1.660 empregos no mês.

Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp, chama atenção também para a interrupção do ciclo de queda do emprego no segmento de Máquinas e Equipamentos, onde a taxa de ocupação ficou praticamente estável, com fechamento de apenas 15 vagas, ante 300 postos a menos apurados em agosto.

O fato de o nível de emprego ter parado de cair em um segmento de peso tão importante para a economia, desperta expectativas de que o setor de bens de capital volte a contratar. Para André Rebelo, gerente do departamento, esse setor deve começar a gerar vagas agora. A melhora da massa salarial, dos investimentos e das condições de crédito e exportação deve amparar essa retomada daqui para frente, especialmente a partir de janeiro.

Regionalmente, as maiores contratações foram observadas em São Carlos, onde o emprego cresceu 2,66%, puxado pela indústria de materiais e aparelhos elétricos para construção civil, e pelo segmento de produtos alimentares. Diadema e Bauru também se destacaram, com aumento de 1,81% cada uma nas contratações.

(Bianca Ribeiro | Valor)