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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Governo vê 320 votos para aprovar novo auxílio, mas ainda segura pressões

Bolsonaro, Ramos e Barros com o relator da PEC Emergencial na Câmara - Reprodução/twitter Ricardo Barros
Bolsonaro, Ramos e Barros com o relator da PEC Emergencial na Câmara Imagem: Reprodução/twitter Ricardo Barros
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

09/03/2021 08h22

A necessidade de uma nova rodada de pagamento do auxílio emergencial é praticamente consenso no Congresso. Mas, o conteúdo do texto da PEC Emergencial, que permitirá a aprovação do benefício, tem algumas resistências na Câmara.

A ordem da articulação do governo e do ministro da Economia, Paulo Guedes, é não permitir mudanças no texto aprovado pelo Senado e aprovar a matéria ainda nesta semana para conseguir retomar o pagamento do benefício ainda neste mês de março.

Ontem (8), o presidente Jair Bolsonaro admitiu que tem recebido pressão da bancada da segurança pública para retirar alguns artigos e disse que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), poderia discutir com líderes a criação da uma PEC paralela para incluir os pontos que fossem suprimidos do texto aprovado por senadores.

Apesar disso, a equipe econômica reforça que é fundamental que, além da permissão para o pagamento do auxílio, as contrapartidas fiscais existentes na PEC sejam mantidas.

"Trabalharemos para manter o texto", disse à coluna o líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).

A mesma direção tem sido seguida pelo ministro responsável pela articulação, Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), que acredita em um placar em torno um pouco acima dos 308 votos necessários para a aprovação da PEC.

No Palácio do Planalto, auxiliares do presidente falam em um placar de pelo menos 320 votos.

Lira e a agenda fiscal

A crença do governo para conseguir manter o texto aprovado pelos senadores está também na postura que vem sendo adotada pelo atual presidente da Câmara.

Segundo interlocutores do governo, Lira foi um dos que mais bancou a decisão de manter o benefício dentro do teto de gastos. "Ele sabe que é importante para a gestão dele na Câmara a seriedade do controle fiscal", disse uma fonte da Esplanada. "Ele não querer começar com o pé esquerdo", completou.

Lobby de ex-líder

Nos bastidores, deputados e auxiliares do presidente afirmam que Bolsonaro foi procurado pelo ex-líder do governo, deputado Vitor Hugo (PSL-GO), durante o fim de semana pedindo mudanças no texto.

Bolsonaro - que tem na área da segurança um dos seus principais focos e até mesmo eleitores - chegou a considerar a mudança a pedido de Vitor Hugo. Em uma reunião no Palácio do Planalto, ontem à tarde (8), que contou com a presença de Barros, Ramos e do relator da PEC na Câmara, deputado Daniel Freitas, o presidente questionou se não havia formas de atender aos pleitos das forças de segurança.

A resposta foi não. Por isso, pelo menos até o momento, a ordem do governo - que conta com a concordância do Posto-Ipiranga - é uma só: aprovar o texto sem mudanças e pagar o quanto antes o auxílio emergencial.

Na Câmara, ao menos publicamente, o esforço é para resolver a pauta no máximo até quinta-feira (11). As discussões sobre a PEC estão marcadas para começar nesta terça-feira (9).

Mais do que os políticos e suas articulações, o fato é que no auge da pandemia, com recordes de mortes, milhares de brasileiros vulneráveis esperam por essa resposta o quanto antes.

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