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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Militares dizem que centrão está aumentando preço do aluguel de Bolsonaro

Jair Bolsonaro ao lado de Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa - Foto:  Antonio Cruz - 27.fev.2020/Agência Brasil
Jair Bolsonaro ao lado de Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa Imagem: Foto: Antonio Cruz - 27.fev.2020/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

29/03/2021 17h27

Diversos militares ouvidos pela coluna e que foram surpreendidos pelo anúncio da saída do general Fernando Azevedo e Silva do Ministério da Defesa disseram que o governo está abrindo um precedente perigoso ao abrir de vez a Esplanada dos Ministérios para indicados políticos.

Nas palavras de um militar de alta patente, o "Centrão não vende apoio, ele aluga. E está aumentando o aluguel".

Mais cedo, os parlamentares já tinham conseguido forçar a saída do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo. No meio da tarde desta segunda-feira, porém, o anúncio da saída de Azevedo veio com a confirmação de auxiliares do presidente de que ele anunciará em breve uma dança das cadeiras.

As mudanças teriam como objetivo atender o apetite do centrão por mais cargos. Nessa dança das cadeiras, é provável que algum dos ministros palacianos seja deslocado para a Defesa: provavelmente o atual ministro da Casa Civil, general Braga Netto.

A ideia é abrir a Secretaria de Governo, hoje sob o comando do general Luiz Eduardo Ramos, para um indicado político. Se a opção for essa, Ramos deve migrar para a Casa Civil.

Os nomes favoritos no Palácio do Planalto para assumir a coordenação política são o do ministro das Comunicações, deputado federal Fábio Faria (PSD-RN), e do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Sequela Pazuello

Um general ouvido pela coluna disse que uma das razões para a saída de Azevedo e Silva seria uma sequela do desgaste envolvendo o também demitido ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello.

Além de ajudar na indicação de Pazuello para a pasta da Saúde, Azevedo agiu nos bastidores para segurar o ministro.

Saída foi selada em rápida conversa

Pessoas próximas do general Fernando disseram que Bolsonaro disse na conversa com o ministro que precisaria do seu cargo para "fazer ajustes na Esplanada". A conversa foi rápida e o general não titubeou, atendeu a ordem de entregar seu espaço no governo.

A alguns amigos, o general disse que não irá sair "atirando" e que nem deve fazer críticas públicas ao governo.

Militares ouvidos pela coluna lamentaram a saída do general Fernando e lembraram que ele conseguiu enfrentar diversos momentos de turbulência mantendo a harmonia entre as instituições.

Fernando Azevedo e Silva, que trabalhou como assessor do ministro do STF, Dias Toffoli, era sempre chamado para intermediar conversas com a cúpula dos outros poderes e apontado como um bom apaziguador.

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