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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Coronel com covid usado como "desculpa" por Pazuello é assessor palaciano

Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, agora despacha na Casa Civil - Divulgação/Palácio do Planalto
Elcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, agora despacha na Casa Civil Imagem: Divulgação/Palácio do Planalto
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

04/05/2021 16h18Atualizada em 04/05/2021 20h27

A terça-feira deixou cada vez mais evidente a atuação do Palácio do Planalto para tentar interferir nos trabalhos da CPI da Covid.

Logo no início da sessão, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), disse que o ex-ministro Eduardo Pazuello informou que teve contato com coronéis diagnosticados com covid-19. Por isso, ele teve a convocação adiada ara o dia 19 — amanhã falará na comissão Nelson Teich, que estava previsto para hoje.

À coluna fontes ligadas ao ex-ministro disseram que apenas um coronel que esteve com Pazuello foi diagnosticado com a doença: Élcio Franco, seu ex-secretário-executivo e agora atual assessor da Casa Civil.

Outras fontes do Palácio do Planalto também confirmaram o diagnóstico positivo do assessor do ministro Luiz Eduardo Ramos e disseram que ele era um dos principais responsáveis na defesa e preparação do Pazuello para a CPI.

Pazuello deve receber um cargo oficialmente em breve no Palácio do Planalto. Pelo menos era essa a promessa do presidente Jair Bolsonaro.

Enquanto isso, o ex-ministro ocupa um cargo na secretária-geral do Exército. Foi por isso que o Exército que enviou nesta tarde o comunicado à CPI informando que o ex-ministro tinha tido contato com pessoas infectadas.

Posição oficial

Questionado pela coluna sobre a identidade dos coronéis, o Centro de Comunicação Social do Exército não enviou as identificações e afirmou que "o General Pazuello comunicou ao Exército Brasileiro que tomou conhecimento ontem, 3 de maio, que teve contato com dois servidores do poder público federal que apresentaram resultado positivo em exame para COVID-19".

O Exército disse ainda que "o general de Divisão Eduardo Pazuello encontra-se na situação de Adido à Secretaria Geral do Exército (SGEx)" e que "os "documentos relacionados à participação do referido oficial general junto à CPI tramitam ordinariamente por intermédio da SGEx".

E que por isso foi a SGEx que encaminhou "as solicitações do militar para análise da supramencionada CPI".

Mandetta versus Fábio Faria

Além do treinamento que vinha sendo feito com Pazuello dentro do Palácio do Planalto, em seu depoimento nesta terça-feira, o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que recebeu ontem "por engano" uma mensagem do ministro das Comunicações, Fabio Faria, com a mesma pergunta que o senador Ciro Nogueira (PP-AL) fez durante a CPI.

Há uma semana, o jornal O Globo revelou que requerimentos de convocação e de pedidos de informações a estados e municípios, enviados ao colegiado, foram elaborados dentro do Palácio do Planalto.

Pouco depois da fala de Mandetta, o ministro Fábio Faria rebateu a acusação no Twitter, disse ser "amigo" do senador Ciro Nogueira e reiterou seu questionamento ao ex-ministro.