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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Senador propõe taxar quem tem mais de R$ 4,67 mi para gastos da pandemia

22.jun.2021 - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) durante sessão da CPI da Covid, da qual é vice-presidente - Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo
22.jun.2021 - O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) durante sessão da CPI da Covid, da qual é vice-presidente Imagem: Wallace Martins/Futura Press/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

07/07/2021 16h35Atualizada em 07/07/2021 18h17

Vice-presidente da CPI da Pandemia, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) protocolou, na semana passada, um Projeto de Lei Complementar para que seja criada uma "Contribuição Extraordinária sobre Grandes Fortunas" para atenuar os efeitos da pandemia de Covid.

O projeto prevê uma a alíquota progressiva que varia de 0,5% a 5%, para pessoas com patrimônio acima de R$ 4,67 milhões.

Segundo o senador, o tributo proposto alcançaria cerca de 200 mil contribuintes pessoas físicas, cuja média de renda mensal total é superior a 80 salários mínimos e que detêm 30% dos bens e direitos declarados no imposto sobre a renda. "Este número representa apenas 0,1% da população brasileira", diz o texto do projeto.

Randolfe diz ser razoável que "aqueles contribuintes com maior capacidade contributiva - que, em sua maioria, tiveram aumento patrimonial enquanto a grande massa da população vem sofrendo com os efeitos perversos da crise sanitária e econômica - contribuam com o país neste momento de forte recessão".

O senador afirma que o projeto é inspirado a partir de um trabalho realizado pela Unafisco Nacional para instituir a nova Contribuição, que seria incidente uma única vez, sobre as grandes fortunas acima de R$4,67 milhões, "tendo como objetivo primordial arrecadar recursos para a Saúde e para a Assistência Social, em vistas dos efeitos catastróficos causados pela pandemia da Covid-19".

Com base nos cálculos da Unafisco, o projeto prevê uma arrecadação de cerca de R$ 53,4 bilhões. "Se considerarmos a sonegação fiscal, na ordem 27%, este valor ficaria em torno de R$ 38,9 bilhões", diz.

Randolfe argumenta ainda que a proposta de aumento na tributação sobre a camada mais rica da população "não acarreta fuga de capitais, conforme comumente alegado nas discussões sobre aumento da tributação de renda e patrimônio".

O senador cita alguns estudos que derrubam uma espécie de "mito" de que a redução na tributação para os mais ricos acarreta efeitos positivos para toda a economia. "A redução na tributação dos mais ricos aumenta a desigualdade de renda de forma substancial e não gera nenhum benefício à economia", afirmou.

Já em pauta

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) já tem um projeto antigo pedindo a taxação de grandes fortunas, de forma temporária, para ajudar no combate à pandemia. O projeto do senador tucano, inclusive, já tem parecer favorável para ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Por se tratar de matéria mais antiga, possivelmente o projeto de Randolfe terá ser apensado ao projeto em andamento.

O senador Plínio Valério tem cobrado para que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) desengavete a matéria e coloque o tema para apreciação dos senadores. O presidente do Senado tem dito que, após o recesso, com a volta das comissões a matéria pode ser analisada.

O texto do projeto de Plínio prevê três faixas de tributação, que variam de 0,5% a 1%, também de forma progressiva. "O Imposto sobre Grandes Fortunas é temporário, para acudir uma situação de extrema emergência, e só começa a atingir quem tem patrimônio acima de R$ 28 milhões", diz o senador.