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Carla Araújo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Indicação de Aras dobra aposta de Bolsonaro para Senado aprovar Mendonça

Presidente Jair Bolsonaro conversa com procurador-geral da República, Augusto Aras, no Palácio do Planalto - Reprodução
Presidente Jair Bolsonaro conversa com procurador-geral da República, Augusto Aras, no Palácio do Planalto Imagem: Reprodução
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

20/07/2021 20h10

A recondução de Augusto Aras como procurador-geral da República representa um recado do presidente Jair Bolsonaro ao centrão e um movimento de pressão para que o Senado aprove o nome do ministro André Mendonça para o STF (Supremo Tribunal Federal).

Nos bastidores, Bolsonaro recebeu informações de que Aras seria o nome do centrão para a vaga de Marco Aurélio Mello, que se aposentou no começo do mês.

Aras era tido como uma espécie de plano B do governo. Seria o reserva, caso o Senado barre a ida do atual advogado-geral da União para o Supremo.

O apoio do centrão ao nome de Aras envolve um cálculo: o PGR se mostrou um fiel aliado ao presidente e é tido entre os parlamentares como uma peça confiável para conduzir investigações, tendo acabado com a chamada pirotecnia que marcou a atuação da Lava Jato, maior e mais longa ação de combate à corrupção no país.

Já Mendonça é visto de perfil mais independente e na área criminal seria mais alinhado aos métodos lavajatistas tão combatidos por setores do Congresso. Alertado pelo presidente de que teria resistências no Senado para ser referendado e que precisava se mexer, Mendonça, dizem aliados, indicou que toparia arriscar e até mesmo perder, se fosse o desfecho.

No xadrez de Bolsonaro, a ideia é faturar apoio para Mendonça e mostrar ao centrão que na seara de investigações fica tudo do jeito que está ou pelo menos fica a promessa de que o estilo discreto seguirá. E o governo deixa de ter o "plano B" para o STF. Bolsonaro dobrou a aposta.

Agora, é aguardar para saber quais as peças o centrão e os senadores vão preferir movimentar em meio ao momento de maior tensão entre o Planalto e o Senado diante das investigações da CPI.

Vale lembrar ainda que cabe ao PGR decidir o xeque-mate (leia-se denúncia) que será dado após a CPI concluir as suas apurações, que devem envolver ao menos o entorno direto de Bolsonaro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL