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Avaliador ganha até R$ 15 mil para cheirar papel higiênico, carro e perfume

Do UOL, em São Paulo

  • Thinkstock

Ter habilidade para sentir e distinguir cheiros pode garantir emprego em uma área que demanda profissionais e com salários valorizados, podendo chegar a R$ 15 mil.

Profissional pouco conhecido, o avaliador de fragrâncias, ou avaliador olfativo, é o profissional que faz a ponte entre o perfumista - que faz a fragrância - e o cliente ou o departamento que pede o produto. É ele quem deve entender o que a marca quer passar com o produto, e como traduzir isso em um cheiro.

"Não é um nariz criador, é um nariz técnico, que conduz a mão do criador para chegar no que o cliente ou o marketing desejam", afirma Cesar Antonio Veiga, especialista em avaliação de fragrâncias no Grupo Boticário, que tem quatro profissionais assim.

Cheirinho de carro novo

Pode parecer uma área de trabalho restrita, mas eles são mais requisitados do que se costuma pensar, afirma Alessandra Tucci, sócia-fundadora da Perfumaria Paralela, empresa que dá cursos na área.

Ela diz que todas as companhias que lidam com fragrâncias, seja de cosméticos, higiene ou limpeza, precisam de pelo menos um, além das empresas que fornecem matéria-prima. O trabalho deles vai do sabão em pó ao xampu. Do papel higiênico perfumado ao odorizador de ambiente.

Segundo Cesar Veiga há avaliadores até na indústria automotiva, responsáveis por garantir o famoso "cheirinho de carro novo". Eles avaliam como o automóvel sai da linha de montagem, para que as unidades não fiquem com odores agressivos, de produtos químicos usados na fabricação.

Habilidade olfativa pode ser treinada

Tanto Veiga quanto Tucci afirmam que qualquer um tem o potencial para se tornar um avaliador. A capacidade olfativa é uma habilidade como qualquer outra, que pode ser treinada, desde que a pessoa não tenha um problema físico, segundo eles.

Veiga afirma que ainda há poucos cursos e instituições destinadas a formar esse tipo de profissional no Brasil. Muitos dos que trabalham com isso hoje foram treinados pelas próprias empresas. Veiga, que é farmacêutico bioquímico, diz que ele próprio entrou no Boticário antes de se tornar avaliador.

Alessandra Tucci afirma que, para formar um avaliador júnior, empresas demoram, em média, três anos.

Falta de profissionais eleva salários

Essa carência faz com que a carreira tenha bons salários, podendo chegar a R$ 15 mil, segundo Tucci. Ela ressalta, porém, que isso é o que ganha um profissional experiente, que fez seu nome e é disputado por grandes empresas. Para chegar lá, como em qualquer carreira, é necessário começar de baixo e ir crescendo.

"Ele entra como avaliador júnior, depois pleno, até expert em avaliação, gerente, diretor de criação", diz Cesar Veiga, que evita falar em números.

"É complicado falar em salário. Quando é bom e reconhecido, é claro que o passe é valorizado. A faixa salarial funciona como em todo mercado, mas é um pouco acima pelo nível de especialização. É um profissional bem remunerado".

Não basta ter bom nariz

Apesar de ser parte essencial, ter um bom nariz não é a única habilidade exigida. Por fazer a ponte entre o perfumista e o cliente, ele precisa de competências em negócios.

Ser um bom supervisor de equipes, ter capacidade de comunicação e conhecimento do mercado são algumas das habilidades necessárias e valorizadas, segundo os especialistas.

Por isso a formação costuma variar. Há químicos, farmacêuticos, administradores, publicitários. Até geólogos e artistas, segundo os especialistas.

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