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Participação feminina no mercado de trabalho pode retroceder uma década por pandemia

Participação das mulheres no mercado de trabalho poderá cair a 46% - Getty Images
Participação das mulheres no mercado de trabalho poderá cair a 46% Imagem: Getty Images

10/02/2021 14h44

Santiago, 10 Fev 2021 (AFP) - A pandemia de coronavírus provocará um retrocesso de uma década na participação das mulheres na força de trabalho na América Latina, caindo a 46% em 2020, após ter atingido 52% no ano anterior, segundo relatório da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), órgão vinculado à ONU (Organização das Nações Unidas)..

"A pandemia causará uma redução nos níveis de emprego das mulheres que representa um retrocesso de pelo menos dez anos", afirma um relatório do organismo publicado hoje.

Em meio às restrições sanitárias impostas para frear a propagação da covid-19 em toda a América Latina, "houve uma retumbante saída de mulheres do mercado de trabalho, que, por terem que atender às demandas de cuidados em seus lares, não retomaram a procura por emprego", diz o documento.

Em 2020, a taxa de participação laboral das mulheres situou-se em 46%, com uma redução de seis pontos percentuais com relação ao ano anterior.

No caso dos homens, a participação laboral atingiu 69%, ante 73,6% no ano anterior.

A Cepal, um organismo técnico das Nações Unidas com sede em Santiago, no Chile, também calcula que a taxa de desemprego entre as mulheres atingiu 12% em 2020, "percentual que sobe para 22,2% se for assumida a mesma taxa de participação laboral das mulheres em 2019", de acordo com o documento.

Afetado pela pandemia, o PIB (Produto Interno Bruto) regional diminuiu 7,7% em 2020, com forte impacto no emprego.

Nesse contexto, o órgão regional estima que cerca de 118 milhões de mulheres latino-americanas estariam em situação de pobreza, 23 milhões a mais do que em 2019.

"As mulheres da região são parte crucial da primeira linha de resposta à pandemia", ressaltou Alicia Bárcena, secretária executiva da Cepal, ao apresentar o relatório em entrevista coletiva.

Para ilustrar esse importante papel, Bárcena explicou que 73,2% das pessoas que atuam no setor da saúde são mulheres, "que tiveram que enfrentar uma série de condições extremas, como longas jornadas de trabalho, que se somam ao maior risco a que o pessoal de saúde está exposto a contrair o vírus".

Além disso, a renda das mulheres que trabalham na área da saúde é 23,7% menor que a dos homens do mesmo setor.

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