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Fundo para vítimas de Madoff até agora só pagou administrador

Erik Larson

(Bloomberg) -- Uma firma contratada pelo governo americano para distribuir US$ 4 bilhões às vítimas do esquema de pirâmide de Bernard Madoff faturou US$ 38,8 milhões em quatro anos. Já os investidores lesados não receberam sequer a primeira parcela.

O Departamento de Justiça dos EUA revelou pagamentos feitos a Richard Breeden, administrador do Fundo de Vítimas de Madoff, após a Bloomberg News entrar com um pedido sob a Lei de Liberdade de Informação.

Os honorários em dinheiro pagos a Breeden saem do fundo e cobrem o trabalho dele até 2016.

Oito anos e meio após a prisão de Madoff, os investidores ainda lutam para recuperar dinheiro de um fundo que foi anunciado com tremendo alarde. As vítimas recuperaram bilhões de dólares de outro fundo, mas ainda não foram totalmente compensadas.

"É muito frustrante estarem ganhando em cima da gente deste modo, usando dinheiro que foi recuperado para as vítimas", disse Daphne Brogdon, apresentadora do canal Food Network, cuja família perdeu cerca de US$ 5 milhões no golpe de Madoff. "Eles estão levando a porcentagem que poderíamos receber."

A reportagem não teve retorno após recados deixados com um representante da firma de Breeden, a RCB Fund Services. Uma porta-voz do Departamento de Justiça, Dawn Dearden, se recusou a comentar sobre os honorários dele ou sobre o processo jurídico, mas orientou a reportagem a buscar a seguinte informação deixada por Breeden no website do fundo:

"Agora esperamos que a distribuição inicial ocorra em algum momento em 2017 e será maior do que prevíamos originalmente", escreveu Breeden, que já foi presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC).

Bilhões de Picower

O fundo de compensação foi criado em dezembro de 2012 para devolver dinheiro a milhares de vítimas de Madoff. O governo americano confiscou US$ 2,4 bilhões do espólio de um de seus maiores investidores, o falecido Jeffry Picower. Em 2014, o fundo aumentou em US$ 1,7 bilhão após um acordo de apreensão com o banco de Madoff, o JPMorgan Chase, acusado de fazer vista grossa ao esquema.

Breeden, 67 anos, afirmou em fevereiro de 2016 que 40.000 vítimas receberiam a indenização inicial no fim daquele ano. Não receberam. Uma atualização publicada no website tem janeiro citou o processo jurídico demorado e documentação inadequada por parte de algumas vítimas.

O Departamento de Justiça é "notoriamente lento" nas decisões sobre ativos apreendidos, disse Jon Barooshian, advogado especializado em defesa de crimes do colarinho branco do escritório Bowditch & Dewey, em Boston.

"Estou surpreso que demore tanto, mas não sei se a culpa é de Richard Breeden. Talvez seja mais uma questão interna do Departamento de Justiça", disse Barooshian, que não está envolvido no caso Madoff.

Breeden eventualmente fará recomendações à Divisão de Lavagem de Dinheiro e Recuperação de Ativos do Departamento de Justiça sobre quais pedidos de indenização devem ou não ser atendidos. A firma dele já recebeu os honorários de US$ 38,8 milhões, segundo o Departamento de Justiça.

Madoff, 79 anos, se declarou culpado de fraude em 2009 e está cumprindo uma pena de 150 anos de prisão. Juntas, suas vítimas perderam US$ 17,5 bilhões em principal, embora o saldo total de suas contas somasse US$ 64 bilhões, incluindo lucros supostamente gerados em operações fraudulentas.

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