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Sem diploma, ex-presidente do Cruzeiro do Sul vai para cadeião

Luis Octavio Indio da Costa, ex-dono do banco Cruzeiro do Sul - Jefferson Dias/Valor
Luis Octavio Indio da Costa, ex-dono do banco Cruzeiro do Sul Imagem: Jefferson Dias/Valor

Do UOL, em São Paulo

24/10/2012 12h43Atualizada em 24/10/2012 13h01

O ex-presidente e um dos controladores do banco Cruzeiro do Sul, Luis Octavio Indio da Costa, que estava detido numa cela da Polícia Federal em São Paulo, foi transferido nesta quarta-feira (24) para o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, conhecido como cadeião de Pinheiros, também na capital paulista,

Sem nível universitário, o ex-banqueiro divide uma cela comum com outros presos que aguardam julgamento. A penitenciária está superlotada -com capacidade para 512 presos, abriga 1.308, segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo.

Indio da Costa foi detido por policiais federais na tarde da segunda-feira (22), em São Paulo, por crimes contra o sistema financeiro, contra o mercado de capitais e lavagem de dinheiro.

A reportagem do UOL tentou entrar em contato com o advogado do ex-banqueiro, mas não houve resposta até a publicação deste texto.

Pai de banqueiro também foi preso

A Polícia Federal cumpriu na manhã de terça-feira (23) um mandado de prisão domiciliar contra outro ex-controlador do Banco Cruzeiro do Sul e pai de Luis Octavio, Luis Felippe Indio da Costa, em sua casa na cidade do Rio de Janeiro. A prisão domiciliar foi decretada em virtude de o preso ter mais de 80 anos.

Rombo de R$ 3 bilhões

O Cruzeiro do Sul tem um rombo de mais de R$ 3 bilhões, que pode ser ainda maior, segundo especialistas.

O Banco Central decretou a liquidação na instituição financeira no último dia 14 de setembro, depois de ter passado três meses em regime de administração especial temporária (Raet).

No dia 17 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido de Índio da Costa para desbloquear bens pessoais dele que foram congelados pela decisão que liquidou o banco.

BC fechou o banco em setembro

O Banco Central (BC) anunciou, em 14 de setembro, a liquidação dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper.

Segundo o BC, do total de depósitos à vista e a prazo do Banco Cruzeiro do Sul e do Banco Prosper, cerca de 35% e de 60%, respectivamente, contam com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC é administrado pelos próprios bancos e cobre aplicações de até R$ 70 mil, em caso de quebra da instituição financeira.

Negociações com Santander falharam

As negociações com o Santander (SANB11) para a compra do Cruzeiro do Sul se estenderam até a madrugada do dia 14 de setembro, mas não avançaram diante da cobrança pelo banco espanhol de garantias que impediram um acordo para a venda da instituição.

O Cruzeiro do Sul está sob intervenção do Banco Central desde o início de junho e, no dia 13 de setembro, venceu o prazo para o Cruzeiro do Sul conseguir aprovação de credores para renegociação de dívidas e obtenção de um comprador.

O plano de recuperação do banco Cruzeiro do Sul, que tinha patrimônio negativo de R$ 2,237 bilhões até a intervenção ocorrida em 4 de junho, previa, além da reestruturação da dívida, a venda da instituição.

Reveja problemas do banco

A família Indio da Costa comandava o banco Cruzeiro do Sul havia quase 20 anos. Recentemente, houves problemas com balanços reprovados por auditores, acusação de desvio de recursos e investigações por parte das autoridades.

A lista de tropeços do Cruzeiro do Sul começou a vir à tona em 2008, um ano depois de o banco estrear na bolsa de valores, vendendo cerca de R$ 645 milhões em ações. Desse valor, os Indio da Costa embolsaram R$ 150 milhões.

A instituição, que tinha R$ 2,6 bilhões em operações de crédito consignado, estreou valendo R$ 2,15 bilhões.

Em setembro de 2008, a massa falida do banco Santos acusou, em um processo judicial, o Cruzeiro do Sul de ter desviado R$ 206,2 milhões dos credores da instituição que pertenceu a Edemar Cid Ferreira. O caso ainda está correndo na Justiça.

Um ano depois, no fim de 2009, o banco anunciou a intenção de fazer uma nova oferta de ações, em uma operação que somaria R$ 400 milhões, entre novos recursos para o Cruzeiro do Sul e a venda de parte das ações da família Indio da Costa. Logo, porém, o processo foi abortado, em meio a uma sucessão de episódios negativos.

Em janeiro de 2010, o Banco Central começou a questionar as operações do Cruzeiro do Sul de venda de carteiras para fundos de direitos creditórios. Depois desse repasse, o próprio banco comprava as cotas do fundo, em operações que, para o Banco Central, poderiam ser irregulares.

No mês seguinte, foi a vez de a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fazer marcação cerrada em cima do banco. A autoridade mandou o Cruzeiro do Sul republicar seus balanços de 2008 e 2009 sob o argumento de que a instituição não estava consolidando em seu balanço os fundos de direitos creditórios que detinha.

(Com informações de agências de notícias)

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