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Clientes contra Crefisa: 'Empréstimo de R$ 5 mil virou dívida de R$ 36 mil'

A empresária Leila Pereira, presidente da Crefisa Imagem: VICTOR MONTEIRO /ZIMEL PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Simone Machado

Colaboração para o UOL, em São José do Rio Preto (SP)

30/10/2023 04h00Atualizada em 30/10/2023 19h41

Foi em um momento de fragilidade financeira que a servidora pública Cecília Martins, de 59 anos, recorreu à instituição financeira Crefisa em busca de um empréstimo. O que ela não imaginava é que, ao invés de resolver um problema, estaria arrumando outro. A Justiça paulista condenou o banco Crefisa pelo menos dez vezes nos últimos dias por cobrar juros abusivos de pessoas idosas.

Cecília relata que inicialmente solicitou cerca de R$ 12 mil em um empréstimo financeiro. Por ver que a forma de pagamento era facilitada e as parcelas cabiam no orçamento, ela aceitou a proposta feita pela financeira, sem se atentar à taxa de juros.

"Eles pegam a gente nesses momentos de fragilidade. No momento que você não vê muitas saídas para poder arcar com as suas dívidas. E aquela oferta parece como uma saída, uma luz no fim do túnel", diz.

Mas, na verdade, não é isso. Pelo contrário, é um poço que você vai se afundando cada vez mais. Porque você até consegue pagar algumas dívidas que tem inicialmente, mas depois vira uma bola de neve. Porque, de verdade, se você tivesse cabeça fria para fazer as contas, do quando você pega de empréstimo e do quanto você vai pagar ao final, é um absurdo, é uma coisa vergonhosa

Para quitar a dívida, a servidora pública precisou vender um carro.

"Antes de você terminar o seu empréstimo, eles já oferecem outro empréstimo, prometendo facilidade no pagamento e vai virando uma bola de neve e sua conta só vai aumentando. Eu acabei tendo que vender o carro, inclusive, por um preço bem inferior ao que ele valia, para sair dessa situação", acrescenta a servidora pública.

E Cecília não é a única. Muitas pessoas vêm enfrentando problemas com as taxas de juros consideradas abusivas cobradas por instituições financeiras.

A professora aposentada Fernanda (nome fictício), de 71 anos, também viu sua dívida aumentar após a contratação de um empréstimo de pouco mais de R$ 5,5 mil. Atualmente, a mulher afirma que o seu saldo devedor à financeira é de R$ 36 mil.

"A gente passa por situações bem complicadas na vida, então recorre a esses empréstimos e pensa que vai dar conta de pagar tudo. Mas eles aproveitam da situação e você acaba sendo engolida pela situação. Me sinto muito mal, porque quero pagar, mas cada vez mais fica difícil", diz.

Tanto Cecília quanto Fernanda fizeram empréstimos na mesma empresa, a Crefisa, e buscaram a Justiça alegando que a financeira cobrou juros abusivos em seus empréstimos, que chegam a 987,22% por ano segundo os contratos.

E elas não foram as únicas. Recentemente, a financeira foi condenada devido aos juros abusivos.

Contrato feita pela Crefisa mostra taxa de juros de 987,22% ao ano Imagem: Arquivo Pessoal

Os advogados das vítimas, Victor Moya e Willian Peniche, explicam que os juros abusivos acontecem quando a instituição financeira cobra taxas excessivamente elevadas, sem justificativa adequada.

"Não existe uma lei que limite os juros no Brasil, mas o Código de Defesa do Consumidor afirma que todo contrato abusivo deve ser revisado e a jurisprudência do STJ (Superior Tribunal de Justiça) diz que, quando a taxa de juros de um contrato, supera em uma vez e meia a média do mercado (na mesma modalidade de financiamento), a abusividade está comprovada, cabendo a revisão e restituição", diz Moya.

Ainda segundo o advogado, mesmo que o contrato ainda esteja em andamento e que a pessoa esteja inadimplente, é possível pedir a revisão dele.

"O primeiro passo é ter a cópia do contrato em mãos e depois buscar judicialmente a revisão dele. Os contratos que o cliente fez nos últimos 10 anos, podem ser solicitados a revisional deles, depois desse período perde o direito", acrescenta o advogado.

A reportagem do UOL procurou a Crefisa, que não respondeu ao contato.

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