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Afinal, dados mostram melhora ou piora do mercado de trabalho?

Imagem: Amanda Perobelli/Reuters

Alexandre Garcia

Colaboração para o UOL, de São Paulo

30/04/2024 15h40

O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2024 com o menor nível de desemprego dos últimos 10 anos e a maior geração de vagas com carteira assinada para o período desde 2021. Os resultados divulgados nesta terça-feira (30) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e o Ministério do Trabalho evidenciam o bom momento do mercado de trabalho.

O que dizem os dados

Desemprego atinge 7,9% dos brasileiros. A taxa apresentada pela PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) representa que 8,6 milhões ainda buscam por uma colocação profissional. O percentual representa um volume de 800 mil inclusões no mercado de trabalho em um ano. Em março do ano passado, eram 9,4 milhões de desocupados.

Mercado formal abre 719 mil novas vagas. Os números do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram as contratações maiores do que as demissões nos primeiros três meses deste ano. O dado, 33,9% maior do que o apurado no mesmo período do ano passado, é maior para o primeiro trimestre desde 2021.

As duas pesquisas mostram a resiliência do mercado de trabalho nesse período recente. Dadas as condições de restrição monetária que a gente viu aqui, era esperado um cenário muito mais desafiador para o emprego, e o que a gente viu foi justamente o oposto. O mercado de trabalho se fortaleceu e o desemprego vem diminuindo.
Pedro Lang, economista da Valor Investimentos

Movimento positivo reflete desempenho da economia. Para os especialistas, o bom ambiente para a geração de empregos também reflete o recente crescimento econômico e a evolução dos grandes setores. Conforme as estimativas mais recentes do mercado financeiro, do governo e do BC (Banco Central), o PIB (Produto Interno Bruto) crescerá pelo menos 1,9% neste ano.

O Brasil ainda enfrenta desafios devido à sua dependência do ciclo de commodities e às políticas econômicas expansionistas do governo, que apesar de contribuir para redução de desemprego, também ampliam o endividamento público. Há também avanços estruturais importantes, como a reforma tributária, que contribuem para essa melhoria dos cenários.
Eduardo Reis Araujo, conselheiro do Conselho Federal de Economia

Leituras distintas escondem cenário positivo. Ao utilizar bases de comparação diferentes, é possível fazer leituras distintas dos dados. Na análise com o trimestre imediatamente anterior, os números da Pnad apontam para uma elevação de 0,5 ponto percentual do desemprego, o equivalente a 542 mil profissionais, Já o Caged traz um volume de contratações 20% menor do que o registrado em fevereiro.

O movimento sazonal desse trimestre não anula a tendência de redução da taxa de desocupação observada nos últimos dois anos.
Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas Domiciliares do IBGE

Metodologias diferentes

Ainda que ambos indicadores mostrem um cenário positivo, eles têm bases de cálculo distintas. Enquanto a Pnad traz um recorte mais abrangente sobre a força de trabalho brasileira, o Caged foca apenas nas contratações e demissões com carteira assinada a partir de relatórios entregues mensalmente pelas empresas.

A Pnad dá mais luz ao trabalhador informal, enquanto o Caged está mais preocupado com o mercado formal de trabalho.
Pedro Lang, especialista da Valor Investimentos

A Pnad coleta seus dados a partir de entrevistas. Nos levantamentos são realizadas perguntas a respeito do período trimestral. Sendo assim, para ser considerado desempregado, o trabalhador precisa não ter exercido nenhuma atividade profissional, mas buscado por uma colocação nos três meses que antecedem a coleta.

O Caged, por sua vez, depende das empresas. Para a confecção do indicador, o Ministério do Trabalho depende das informações sobre contratações e admissões entregues pelos patrões. Com os valores, calcula-se o saldo final de contratações formais por setor e região.

Embora ambos os indicadores possam mostrar tendências positivas em determinados aspectos do mercado de trabalho, é importante considerar suas limitações e complementaridades para uma compreensão completa da situação do mercado de trabalho brasileiro.
Eduardo Reis Araujo, conselheiro do Conselho Federal de Economia

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