Aula de inglês sem parar

Chefe da Cultura Inglesa faz inglês duas vezes por semana e diz que não dá para parar nunca

Beth Matias Colaboração para o UOL, de São Paulo
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Se você se sente mal às vezes por ainda ter de fazer aulas de inglês após muito tempo de estudo da língua, pode relaxar. Até o CEO da Cultura Inglesa de São Paulo, Marcos Noll Barboza, continua fazendo aulas particulares duas vezes por semana. Em entrevista exclusiva na série UOL Líderesele disse que o estudo do idioma não pode parar nunca.

Segundo ele, apenas 5% dos brasileiros dominam o inglês, um percentual muito pequeno quando comparado a países vizinhos como Argentina e Peru. Em países da Europa, a proficiência chega a 40%.

Depois de 85 anos no mercado, a Cultura Inglesa de São Paulo anunciou recentemente a compra da Cultura Inglesa do Rio de Janeiro. Com a fusão, o grupo em São Paulo passa a ter 70% das unidades no país - há ainda outras unidades em outros estados. Barboza fala também sobre como o trabalho remoto derrubou as fronteiras de contratações e afirma que, apesar de todo a tecnologia digital, os livros de inglês são necessários.

Ouça a íntegra da entrevista com Marcos Noll Barboza, CEO da Cultura Inglesa, no podcast UOL Líderes. Também pode assistir à entrevista em vídeo com o executivo no canal do UOL no YouTube. Continue nesta página para ler o texto dos destaques da conversa.

Aprendizado de idioma não acaba nunca

UOL - Como o senhor começou a se interessar pelo inglês?

Marcos Noll Barboza - Comecei a aprender em uma boa escola de ensino fundamental em Porto Alegre, mas claro que ela não supria o aprendizado de inglês. Passei então a estudar no Instituto de Idiomas, que hoje não existe mais.

Fui aprendendo e lendo muito. Tenho uma professora particular que está comigo duas vezes por semana e continuo aprendendo. O aprendizado de um idioma é inesgotável.

Quais as mudanças no comportamento dos estudantes?

Muitas pessoas estão optando pelo modelo virtual. É um processo que vem acontecendo há 10 anos, mas as pessoas tinham dúvidas se realmente funcionava, especialmente para o ensino de idiomas, que exige muito a prática, a conversação.

Na pandemia, fomos forçados a experimentar o modelo virtual, com adaptações. Neste momento, os alunos estão mais abertos a esse modelo, e é uma tendência, seja com aulas ao vivo ou com conteúdo gravado.

As escolas presenciais podem acabar?

As escolas que, depois da pandemia, continuarem a ter apenas aulas presenciais, sem nenhum enriquecimento digital, tendem a desaparecer do mercado.

A mudança acontecerá pela exigência de um modelo presencial novo, com conteúdo digital que complemente a experiência de sala de aula..

Brasileiro domina pouco o inglês

UOL - Qual a percentagem de falantes de inglês no Brasil?

Marcos Noll Barboza - O que se estima é que apenas 5% das pessoas no Brasil [segundo dados do British Council] tenham o domínio do inglês. Há muitas pessoas com boas noções, básicas, intermediárias, mas as que dominam o inglês são poucas.

Quando comparamos com países da Europa, a distância fica ainda maior. Eles têm entre 20% e 40% de proficiência no idioma.

Por que essa diferença com os europeus?

No Brasil, diferentemente de um país da Europa, temos pouca interação no dia a dia com estrangeiros. Estamos na América Latina, um continente onde a língua principal é o espanhol, além do português, e não temos interação tão grande com pessoas de outras nacionalidades.

Aprender um idioma não é fácil, exige dedicação e disciplina. Muitas vezes se vende a ilusão de que alguém vai aprender inglês em um ou dois anos, e as pessoas ficam frustradas e acabam desistindo.

Qual é o melhor momento para uma pessoa aprender inglês?

De forma geral, quanto mais cedo a pessoa começar a aprender, melhor. A capacidade de absorção da aprendizagem quando criança é maior. Começar cedo também facilita a pronúncia.

Mas não é uma regra. Temos adolescentes e adultos começando a aprender conosco e estão indo muito bem. É importante as pessoas definirem quais são os seus objetivos com o inglês.

Dependendo do perfil, talvez não seja necessário ser absolutamente fluente no inglês, o nível intermediário já seja suficiente para as suas aspirações.

A Cultura Inglesa é assim

  • Fundação

    1935

  • Funcionários

    1.705

  • Unidades

    106 próprias e 38 franquias

  • Parcerias com escolas

    41

  • Alunos

    86 mil

  • Operação no Brasil

    São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Espírito Santo, Goiás, Tocantins, Rio Grande do Sul e Distrito Federal

Livros de inglês continuarão a existir

UOL - Há muitas críticas em relação à atualização dos livros de inglês, principalmente em relação a expressões do cotidiano. A Cultura Inglesa continua a utilizar livros?

Marcos Noll Barboza - O livro continua sendo importante na aprendizagem. Entendemos a importância de complementar o livro estático e impresso com conteúdos digitais, um modelo gamificado, em que o aluno vai tendo conquistas e ganhando reconhecimento por isso.

Esse modelo de ensino interativo e gamificado é o futuro, mas o livro impresso deve continuar tendo seu espaço por um bom tempo.

O que muda na empresa em 2021?

Embora tenham a mesma missão e o mesmo nome, as Culturas Ingleses das diferentes regiões são entidades distintas, com controle e gestão independente.

Concluímos a aquisição das operações da Cultura com sede no Rio de Janeiro. Depois de 80 anos com o mesmo nome e com a mesma missão, estamos unindo as duas grandes Culturas Inglesas do país.

Neste ano, faremos uma grande transformação digital do nosso portfólio e do nos nossos cursos, com uma plataforma digital gamificada, interativa, e com conteúdos que complementam a sala de aula ao vivo..

Como a pandemia mudou o negócio de vocês?

A pandemia nos forçou, em poucas semanas, a fazer uma migração completa do ensino presencial para o remoto. Nós tínhamos mais de 4.000 turmas, 60 mil alunos e cerca de 500 professores para serem treinados e para adaptar a sua metodologia da sala de aula para a sala virtual.

O próprio atendimento dos alunos está sendo feito das casas das pessoas.

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Estima-se que apenas 5% das pessoas no Brasil tenham o domínio do inglês. Há muitas pessoas com boas noções, básicas, intermediárias, mas as que dominam o inglês são poucas.

Marcos Noll Barboza, CEO da Cultura Inglesa

Futuro da educação será misturar digital e presencial

UOL - Qual a sua opinião a respeito das políticas de educação no Brasil?

Marcos Noll Barboza - Estão caminhando, mas devagar. A educação deve evoluir a partir de uma parceria de aproximação entre Ministério da Educação, secretarias de educação e iniciativa privada.

Mas, para que a educação seja mais inclusiva e abrangente, precisamos ter a escola pública, que representa em torno de 85% dos alunos do Brasil.

E qual o futuro da educação?

O futuro da educação é híbrido. É ilusão achar que uma criança de 4 anos, como o meu filho, que não é ainda alfabetizado, mas pega um celular e baixa intuitivamente um jogo, vai aceitar ou se identificar ou se engajar com uma educação puramente presencial em sala de aula.

O que vai vencer será o híbrido. Uma experiência de atividade em um dia com hora marcada e na frente de um professor, mesmo que por meio de uma plataforma de vídeo, e uma atividade assíncrona, em que o aluno vai fazer por conta própria, na hora que for melhor para ele. É assim que enxergo o futuro da educação.

Muitos empresários apoiaram a eleição do presidente Jair Bolsonaro. Precisam fazer uma autocrítica ou o governo está dentro do esperado e ainda merece apoio?

Não é nem fazer uma crítica nem ser condescendente. É ter uma atitude mais propositiva de contribuição.

A impressão que eu tenho é que estamos um pouco anestesiados, mas considero importante termos uma atuação mais ativa, seja pelo setor privado, pelas grandes lideranças empresariais, mas também pela sociedade em geral.

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