Qual seu maior defeito? Candidato a emprego deve ser sincero ao responder?
Considerado um clichê em entrevistas de emprego, a pergunta "qual é o seu maior defeito?" ainda é muito comum, segundo especialistas, e pode deixar um candidato desconcertado. É melhor ser sincero, dando um possível motivo para a empresa não contratá-lo, ou tentar fugir de uma resposta direta?
O UOL pediu para que profissionais de empresas especializadas em recrutamento apontassem como um candidato deve (e não deve) responder.
São eles: André Ferragut, consultor da Hays; Jorge Martins, gerente de divisão da Robert Half; Ricardo Rocha, gerente executivo da Michael Page; e Roberta Marquesini, coordenadora de recrutamento e seleção da Wyser.
Como um candidato deve responder a essa pergunta?
André Ferragut (Hays): A principal dica é a sinceridade. Bons profissionais reconhecem os seus pontos a desenvolver e traçam planos de ação para melhorarem suas principais competências.
O importante em uma entrevista é avaliar a relevância do defeito apresentado para que, caso seja um ponto crítico para a área, detalhar também as medidas para a correção destes pontos de desenvolvimento e citar exemplos de melhorias.
Jorge Martins (Robert Half): Sendo verdadeiro, tendo um real conhecimento de seus pontos a melhorar. É importante, também, mencionar o que está sendo feito para melhorar essas características. Isso passa a mensagem de que o candidato está preocupado em se aperfeiçoar.
Recomendo, também, uma pesquisa profunda sobre a empresa e a posição em questão, pois suas respostas podem afastar ou aproximar você da oportunidade.
Impaciência é um exemplo bem comum [usado por candidatos]. Didática [ruim] é geralmente um bom ponto a melhorar. Pode ser bom citar microgerenciamento [quando o gestor busca ter um controle muito detalhado do trabalho da equipe] como um defeito, porque muitas empresas buscam o oposto.
Ricardo Rocha (Michael Page): O mais efetivo é ser sincero, demonstrar o ponto fraco e mostrar o que está fazendo para melhorá-lo. O recrutador quer ver o quanto o candidato se conhece e o quanto está se desenvolvendo. Também é bom demonstrar alguma situação em que aquela fraqueza o pode ter prejudicado.
Roberta Marquesini (Wyser): O candidato deve responder citando não um defeito, mas um aspecto de seu comportamento a ser desenvolvido, ou em desenvolvimento, e inserir um exemplo de como isso é percebido dentro de seu ambiente de trabalho.
Qual é a pior maneira de responder?
Ferragut (Hays): A pior maneira é usar os clichês, defeitos que não são, na prática, pontos de desenvolvimento. Citar ser perfeccionista, ansioso ou trabalhar demais, por exemplo, são alguns dos pontos que muitas vezes são citados e que realmente não são considerados pelos recrutadores como defeitos.
Martins (Robert Half): A pior maneira de responder a essa pergunta é falando que suas fraquezas são exatamente suas fortalezas. Já ouvi isso de vários candidatos. Fingir que não tem ponto negativo pode ser interpretado como autossuficiência, soberba, egocentrismo e como alguém que não conhece a si mesmo.
Rocha (Michael Page): Não pode ser falso, nem pensar muito na resposta. Demorar para responder deixa claro que está arquitetando uma resposta e mostra falta de envolvimento com o processo de seleção, porque o candidato não se preparou, além de mostrar que não se conhece bem.
Marquesini (Wyser): Acredito que a pior maneira de se responder seja simplesmente afirmar que possui determinado defeito, sem inserir num contexto e mostrar o que tem tentado fazer para melhorar esse comportamento. Outra forma ruim é não conseguir dar resposta alguma, afinal, todos temos pontos a serem desenvolvidos.
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