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Carla Araújo


Dono da Havan defende cortar salários, liberar FGTS e adiar eleições

Empresário participou da convenção do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente da República, Jair Bolsonaro, tenta fundar - GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO
Empresário participou da convenção do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente da República, Jair Bolsonaro, tenta fundar Imagem: GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL, em Brasília

23/03/2020 14h57

Um dos empresários mais próximos do presidente Jair Bolsonaro, Luciano Hang, dono das 145 lojas Havan espalhadas pelo país, afirmou, em entrevista à coluna, que as medidas governamentais para minimizar o impacto da pandemia de coronavírus devem ser maiores que a expectativa.

Ele defendeu a redução de salários e a liberação do FGTS, e também se mostrou a favor do adiamento das eleições de 2020 para não "contaminar" a crise com intenções políticas. Ele atualmente emprega cerca de 22 mil colaboradores em suas lojas.

Eu acho que tem que liberar FGTS para todos os trabalhadores. Acho que podem reduzir os salários, mas desde que permaneçam com os colaboradores depois.
Luciano Hang

Para Hang, "o dano na economia vai ser muito maior do que na pandemia". "Desligar [a economia] é fácil, como vamos voltar? Como vamos ligar?", questionou.

O empresário, que disse que mantém contato frequente com o presidente, disse que ainda não tinha tido tempo de analisar a Medida Provisória assinada na noite de ontem por Bolsonaro que previa a suspensão de contrato de trabalhadores por quatro meses. Há pouco, o presidente suspendeu o trecho da MP.

Reduzir salários e encargos

Na avaliação de Hang, mais importante do que a suspensão de trabalhadores é a possibilidade de reduzir salários e de contar com a suspensão de pagamentos de encargos sociais. "Não podemos pensar agora em ajuste fiscal", disse.

"É preciso afrouxar a política fiscal e atacar com políticas monetárias para dar a confiança de que o mercado precisa, e que os empreendedores se sintam confortáveis para continuarem com seus negócios e mantendo seus colaboradores", afirmou Hang.

O empresário, que publicou recentemente em suas redes sociais vídeos com críticas a medidas restritivas impostas por governadores, afirmou que não tem a intenção de fazer uma demissão em massa.

O Brasil já está parado. Preservar o emprego nesse momento é a mais importante medida que devemos ter.
Luciano Hang

Segundo ele, se fosse fazer essas demissões, seria mais caro para ele do que manter os colaboradores e pagar parte dos salários.

Todas as lojas da Havan estão fechadas, segundo o empresário, e até mesmo as máquinas de autoatendimento para pagamento de boletos estão fora de funcionamento. Apesar das atividades paradas, Hang afirmou que a empresa conta com um "fluxo de caixa folgado" para garantir o pagamento dos funcionários.

Postura do presidente

O empresário evitou fazer uma avaliação sobre críticas à postura de Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia e defendeu que, como líder, o presidente tem que manter um discurso otimista.

Como líder, as pessoas sempre têm que ser boas, [dizer] que as coisas vão ter solução, e eu acho que é esse o discurso do presidente. Ter um líder pessimista que acha que vai dar tudo errado é o começo do fim.
Luciano Hang

Adiamento das eleições

O empresário também defendeu que as eleições municipais deste ano sejam adiadas e afirmou que o momento é de "baixarmos as armas". "Se as eleições forem transferidas, vai melhorar o nível da conversa."

Na avaliação de Hang, alguns estados e municípios agiram prematuramente ao fechar estabelecimentos comerciais, e o ideal seria apenas deixar en quarentena uma parcela da população —aqueles reconhecidos como grupo de risco— para conseguir um equilíbrio que não "mate a economia".

Eu me preocupo mais com o ser humano, mas temos que continuar fazendo com que a roda da fortuna continue girando. O desemprego, o desalento, a depressão e tudo que pode acontecer me preocupa. O que vai vir depois da epidemia será muito por pior.
Luciano Hang

Carla Araújo