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Coluna

Carla Araújo


Governo vai centralizar coletivas para tentar passar imagem de "união"

Presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto -
Presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

30/03/2020 17h03Atualizada em 30/03/2020 18h04

Com a relação entre o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, rodeada de atritos públicos por divergências de postura no combate ao coronavírus, o governo decidiu centralizar as entrevistas coletivas no Palácio do Planalto.

O novo modelo, segundo auxiliares do presidente, é tentar mostrar uma imagem de união no governo e evitar desencontro de informações. A ideia surgiu em reuniões do gabinete de crise, coordenado pela Casa Civil, mas teve o apoio do presidente.

Há pouco, o ministro da Casa Civil, general Walter Braga Netto, justificou a medida pelo fato de que a pandemia do coronavírus exige uma comunicação integrada.

"O problema do coronavírus, a questão do coronavírus, devido à sua complexidade, ela é transversal. Ela abrange não apenas o esforço do Ministério da Saúde, mas também o esforço de todos os ministérios", disse. "A partir de hoje, esse será o novo formato da coletiva, sempre com a participação de mais de um ministério, para que possa trazer esclarecimentos a toda população brasileira do esforço que está sendo feito".

Divergências internas

Bolsonaro, que tem defendido o afrouxamento da quarentena e contrariando recomendações dos órgãos de saúde para evitar contato físico, quer evitar que os porta-vozes da crise fujam do seu controle.

A interlocutores, Mandetta já afirmou que não deixará o cargo a menos que o presidente resolva demiti-lo. Na coletiva, Braga Netto descartou uma possível saída de Mandetta, mas o ministro da Saúde não escondeu que há problemas e tensões.

Além das medidas de saúde, o Planalto também deve concentrar os anúncios de medidas econômicas. Hoje, o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a despachar em Brasília - após uma semana de quarentena no Rio de Janeiro, mas acabou não participando da coletiva.

O governo finaliza os projetos para auxílio a crise econômica resultante da pandemia e deve anunciar em breve uma nova Medida Provisória para regulamentar a redução de salários, com algum auxílio do governo.

Carla Araújo