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Carla Araújo


Em meio a desgaste com Mandetta, Bolsonaro convida Osmar Terra para almoço

Osmar Terra deixou ministério da Cidadania em fevereiro - FATIMA MEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Osmar Terra deixou ministério da Cidadania em fevereiro Imagem: FATIMA MEIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

06/04/2020 15h09Atualizada em 06/04/2020 17h27

Um dia depois de falar que poderia usar a sua caneta para eventualmente tirar do governo integrantes que viraram estrelas, o presidente Jair Bolsonaro convidou o ex-ministro e deputado federal Osmar Terra para um almoço no Palácio do Planalto. No encontro de hoje, segundo uma fonte, teria acontecido "uma leve sondagem" sobre a possibilidade de Terra assumir o ministério da Saúde, no lugar de Luiz Henrique Mandetta.

O assunto principal, porém, segundo interlocutores, teria sido a respeito do uso de cloroquina para o tratamento de coronavírus.

Segundo auxiliares, apesar do desgaste entre o presidente e Mandetta, será um risco muito grande o presidente tirar o ministro da Saúde neste momento. "Se ele demitir, vai apanhar muito, mas não duvido", disse uma fonte.

Terra é visto no Palácio do Planalto como uma "cabeça mais alinhada" ao presidente. Hoje, em artigo publicado na Folha, o ex-ministro faz ressalvas em relação à quarentena e sugere flexibilizações, como tem defendido o presidente.

"Quando coordenei o enfrentamento à devastadora pandemia de H1N1 no Rio Grande do Sul —o epicentro dela no Brasil—, segui protocolos científicos e não fechei escolas, comércio e indústrias porque não tive lá, como não há agora, evidências de que tais medidas reduzam o curso da epidemia. Resolvi correr o risco sanitário e político disso. A ciência prevaleceu com o controle rápido do surto, sem faltar atendimento à população", escreveu o ex-ministro.

Em contraponto ao que pensa o presidente Jair Bolsonaro e Osmar Terra, a Organização Mundial da Saúde (OMS) defende que as medidas de isolamento são fundamentais para evitar uma disseminação ainda maior do vírus.

Na semana passada, a OMS rejeitou insinuações feitas pelo presidente Jair Bolsonaro de que a entidade havia apoiado a ideia de que políticas de isolamento não devam ser aplicadas.

Em recente debate promovido pelo UOL, especialistas disseram que o isolamento vertical, como vem sido defendido por Bolsonaro, não tem garantias de eficiência.

O chamado "isolamento vertical", que separaria somente aqueles que estão no grupo de risco à exposição ao vírus, é uma teoria minoritária entre cientistas e vista com ceticismo pela comunidade médica.

Carla Araújo