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Presidente dos Correios defende mudanças em benefícios e tenta evitar greve

Funcionário dos Correios em foto de arquivo - Arquivo/Agência Brasil
Funcionário dos Correios em foto de arquivo Imagem: Arquivo/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

27/07/2020 18h28

Com da data-base da categoria agora em agosto, já começaram as negociações entre os Correios e as entidades representativas dos empregados da estatal.

A proposta dos Correios, que altera alguns benefícios aos funcionários, tem sido alvo de críticas, inclusive com ameaças de greve.

À coluna, o presidente dos Correios, general Floriano Peixoto afirmou que a proposta apresentada pela empresa "é condizente com sua situação financeira e a realidade do país".

"Considerando a missão do gestor público em zelar pela boa administração, é dever da Diretoria dos Correios implementar os ajustes propostos, pois, sem eles, haverá grave comprometimento da situação econômica da empresa", disse.

Proposta "copia" medidas previstas na CLT

Entre as medidas propostas está um ajuste referente ao ticket refeição, já que a concessão atual "extrapola a jornada laboral, alcançando o recesso semanal e as férias dos empregados". Segundo a empresa a proposta de redução do benefício seria para contemplar apenas os dias efetivamente trabalhados.

De acordo com a estatal, se a medida for efetivada haverá uma economia da ordem de R$ 20 milhões mensais.

Também há a previsão de uma alteração na remuneração das férias. Atualmente, os funcionário recebem 2/3 de adicional ao salário. A CLT garante ao trabalhador 1/3 de incentivo no período de descanso. Segundo os Correios, a economia prevista com a revisão será de mais de 600 milhões de reais ao ano.

A proposta prevê ainda uma redução no adicional noturno, que hoje na estatal é na faixa de 60%. Os Correios querem a "manutenção do adicional noturno conforme legislação, no valor de 20% ao da hora diurna".

A licença maternidade também possui proposta de mudança. Atualmente, a licença é de 180 dias e a proposta passaria para 120 dias como trabalhadores do regime CLT.

A proposta muda ainda o período de amamentação, que hoje na estatal é de uma hora de intervalo em cada turno e passaria para 30 minutos em cada descanso. A CLT prevê dois descansos especiais de 30 minutos cada um, para amamentação até a criança completar seis meses de idade.

Exclusão de benefícios

A proposta apresentada pelos Correios também exclui alguns benefícios que, segundo a estatal, não possuem previsão legal como por exemplo: o pagamento de multas dos funcionários ou vale cultura.

Também deixará de existir, se aprovada a proposta, o transporte noturno e indenização por morte ou invalidez.

Empresa quer evitar paralisações

Floriano Peixoto destacou ainda que com as atividades econômicas sendo retomadas em alguns estados "qualquer tipo de paralisação ou embaraço do serviço postal, mesmo que breve, prejudicará ainda mais os pequenos e médios empresários que dependem dos Correios para conduzir seus negócios".

"Assim, além do compromisso da empresa com a sociedade, dentro do caráter essencial que lhe foi atribuído, é preciso dar segurança a essas empresas, pois a recuperação da economia do país depende, invariavelmente, de quem gera emprego e renda", afirma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.