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Bolsonaro desliga porta-voz do governo após deixá-lo sem função e isolado

19.fev.2019 - Porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, durante briefing, no Palácio do Planalto - Valter Campanato/Agência Brasil
19.fev.2019 - Porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, durante briefing, no Palácio do Planalto Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Guilherme Mazieiro

26/08/2020 18h51Atualizada em 26/08/2020 22h34

O presidente Jair Bolsonaro não vai mais manter o general Otávio Rêgo Barros como porta-voz oficial da Presidência. A decisão já foi informada aos ministros Fábio Faria (Comunicações) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). De acordo com auxiliares do presidente, o próprio general já está ciente de que será exonerado.

Com a saída de Rêgo Barros também devem deixar o governo alguns de seus auxiliares, a maior parte de origem militar. Segundo uma fonte, a oficialização da saída de Rêgo Barros ainda deve demorar alguns dias.

O porta-voz foi sendo deixado de lado pelo presidente quando Bolsonaro optou por falar quase que diariamente na porta do Palácio da Alvorada. Depois, com a criação do Ministério das Comunicações, seu futuro passou a ser incerto.

Apesar de começar no cargo inicialmente ligado a Secom, Rêgo Barros e sua equipe estão atualmente subordinados a Secretaria de Governo. A mudança na subordinação aconteceu após a chamada ala ideológica do governo traçar uma estratégia para tentar enfraquecer o posto de Rêgo Barros.

Em julho do ano passado, Rêgo Barros foi alvo de críticas sobre a postura do general com a imprensa tradicional. O filho do presidente, vereador Carlos Bolsonaro, criticou abertamente o porta-voz.

Rêgo Barros também foi alvo de intrigas e divergências com o secretário da Comunicação, Fábio Wajngarten, que hoje é subordinado a Fábio Faria.

Pessoas próximas ao presidente lamentaram a decisão. Um auxiliar disse que foi debatido a possibilidade de encontrar um novo espaço para ele, mas que como o cargo será desativado, seria estranho arrumar um posto para ele no Planalto.

O Planalto oficializou a decisão de afastar o porta-voz em uma nota divulga nesta noite. Leia a íntegra da manifestação do governo:

"Com a edição da MP 980/20, que criou o Ministério das Comunicações, toda a estrutura do Governo relativa à Comunicação foi reunida em uma mesma pasta.

Em 14 de agosto, o Decreto nº 10.462/20 estabeleceu a estrutura regimental do Ministério das Comunicações e selou a nova concentração de competências e quadro de cargos e funções no que se refere à comunicação de Governo.

Diante de toda reestruturação da Comunicação do Governo, o cargo de porta-voz da Presidência da República será desativado em novo decreto a ser publicado nas próximas semanas."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Carla Araújo