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Carla Araújo

Novo ministério deixa futuro de porta-voz da Presidência indefinido

16.abr.2019 - Pronunciamento do Porta-Voz, general Otávio Rêgo Barros - Anderson Riedel/PR
16.abr.2019 - Pronunciamento do Porta-Voz, general Otávio Rêgo Barros Imagem: Anderson Riedel/PR
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

17/06/2020 09h36

Escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro em janeiro de 2019 para ser o porta-voz da Presidência da República, o general Otávio do Rêgo Barros há tempos perdeu espaço no governo e agora - com a criação do Ministério da Comunicação - seu futuro ficou ainda mais indefinido.

Apesar de a Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) passar a ser subordinada a nova pasta, que será comandada pelo deputado Fábio Faria, a estrutura que abriga o porta-voz e seus auxiliares, por enquanto, continua mantida na Secretaria de Governo, comandada pelo ministro Luiz Eduardo Ramos.

A expectativa é que Rêgo Barros permaneça auxiliando o presidente de alguma forma. Uma das propostas estudadas é que seu departamento - que conta com outros militares na assessoria - possa ficar diretamente ligado ao presidente. Ou ficar sob o guarda-chuva de algum outro ministro palaciano.

Se não continuar subordinado a Ramos, Rêgo Barros pode ser deslocado também para a Casa Civil. "A situação está indefinida", disse um ministro à Coluna.

Apesar de ter perdido espaço na rotina palaciana, Rêgo Barros tem reforçado ao presidente Jair Bolsonaro que ainda quer "ajudar o Brasil e o seu governo".

Recentemente, Rêgo Barros foi diagnosticado com coronavírus. Mas já está recuperado e despachando diariamente no Planalto.

Contato com jornalistas

Rêgo Barros chegou ao governo com um propósito diferente de se relacionar com a imprensa.

Auxiliares mais ligados à ala ideológica, como o então chefe da Secom, Fábio Wanjgarten, desde o início do governo decidiram tratar a maior parte da imprensa como "inimigos".

Rêgo Barros, por sua vez, abriu um canal de diálogo com os jornalistas e passou a tentar auxiliar a imprensa diariamente.

Além de listar ações que o governo considerava importantes, Rêgo Barros costumava atender jornalistas e dar liberdade para perguntas, muitas vezes incômodas e sem respostas. As entrevistas eram transmitidas ao vivo e com isso Rêgo Barros acabou ganhando destaque no governo.

Conforme o presidente Jair Bolsonaro passou ele mesmo a falar diariamente com a imprensa na saída do Palácio da Alvorada, o porta-voz foi perdendo relevância. A atitude do presidente em "enfrentar jornalistas" diariamente tinha o aval e era impulsionado pelos filhos e por auxiliares da ala ideológica.

Com o aumento da hostilidade de apoiadores do presidente, veículos de comunicação se uniram e decidiram parar de acompanhar Bolsonaro na saída do Alvorada. O presidente então intercalou algumas falas na rampa do Palácio do Planalto e mantém - já sem muito bom humor - as conversas com simpatizantes, que é transmitida por suas redes sociais.

Além do espaço tomado pelo próprio presidente, Rêgo Barros perdeu um pouco da função com o início da pandemia de coronavírus, já que o ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, passou a dar coletivas diárias em horário similar ao que o porta-voz conversava com a imprensa.

Há entre os auxiliares do presidente quem defenda que - passado o período mais crítico da crise do coronavírus - Rêgo Barros possa voltar a ser utilizado. "Ele tem trato e escolhe as palavras, pode e muito amenizar as atuais crises entre os poderes", disse um assessor palaciano.

Trajetória respeitada

Antes de aceitar o convite para fazer parte do governo, Rêgo Barros era chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, cargo que ocupava desde 2014.

Como chefe do centro, o general era um dos principais assessores do então comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas. Depois que deixou o posto, também em janeiro de 2019, Villas Boas aceitou ser uma espécie de conselheiro do governo e faz parte da equipe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

A trajetória de Rêgo Barros nas Forças Armadas e o respeito de seus pares faz com que o presidente tenha que cautela ao decidir o futuro do general. "Ele sempre foi muito correto e acredito que ainda pode ajudar o governo", disse um assessor palaciano.

Novo ministro

Fábio Faria toma posse nesta quarta-feira como ministro das Comunicações. Segundo o governo, que criou a nova pasta via Medida provisória no último dia 11, atuação do então deputado na Câmara dos Deputados "demonstra comprometimento com as pautas do Governo Bolsonaro".

Em nota ao anunciar a posse para hoje, o Planalto afirmou que "um dos principais desafios é trabalhar para modernizar e unificar a comunicação" de governo.

Além da Secom, a nova pasta agrega as secretarias de Radiodifusão e Telecomunicações, a Telebras, Correios, Anatel e EBC.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.