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Marinho nega que tenha desqualificado Guedes em encontro com economistas

O secretário Rogério Marinho (à esq.) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante audiência na comissão especial da Previdência - Renato Costa/Framephoto/Estadão Conteúdo
O secretário Rogério Marinho (à esq.) e o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante audiência na comissão especial da Previdência Imagem: Renato Costa/Framephoto/Estadão Conteúdo
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

e Guilherme Mazieiro, do UOL, em Brasília

02/10/2020 16h35Atualizada em 02/10/2020 17h31

Após mais um episódio de desgaste entre os ministros Rogério Marinho e Paulo Guedes (Economia), o ministério do Desenvolvimento Regional enviou uma nota para tentar minimizar as declarações de Marinho e negar que os comentários do ministro teriam por objetivo desqualificar o colega da Esplanada.

Nesta sexta-feira, Marinho participou de uma reunião com pequeno grupo de economistas em São Paulo e, segundo informações do Broadcast, serviço de tempo real da Agência Estado, Marinho teria dito que o relator do Orçamento, senador Márcio Bittar, perdeu a confiança em Guedes após o recuo do ministro da economia na proposta de usar precatórios para o Renda Cidadã. Além disso, Marinho teria feito reclamações de que a equipe econômica estaria "desgovernada".

Fontes consultadas pelo UOL que trabalham em grandes investidoras contaram que a informação de que Marinho estaria se reunindo com economistas a mando de Jair Bolsonaro (sem partido) fez preço na bolsa de valores.

Isso é reflexo da desconfiança do mercado com o governo. Após a divulgação, segunda-feira (28), dos moldes de Renda Cidadã baseados em precatórios e financiamento do Fundeb (fundo para custear a educação básica) o mercado operou em baixa. Com a reação, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) se reuniu com investidores e tentou acalmar o mercado, alegando que o programa não criaria déficit.

Ala política versus econômica

As supostas declarações de Marinho chegaram em Brasília e reacenderam os ânimos. Aliados de Guedes dizem que o ministro de Desenvolvimento tem sim defendido o fim do teto de gastos e medidas que Guedes discorda.

Por outro lado, aliados de Marinho afirmam que Guedes não teve coragem de assumir a paternidade da proposta de utilização de precatórios para o Renda Cidadã e que sempre que há uma repercussão negativa das suas medidas ele gosta de acusar ministros da ala política.

Debates complexos

De acordo com a assessoria de Marinho, as falas do ministro teriam chegado a imprensa "de maneira distorcida".

"Não foram feitas desqualificações ou adjetivações de qualquer natureza contra agentes públicos, nem tampouco às propostas já apresentadas. Quem dissemina informações falsas como essas tem claro interesse em especular no mercado, gerando instabilidade e apostando contra o Brasil", escreveu a pasta.

Segundo a nota, a reunião teve o intuito de reforçar o compromisso do governo com a austeridade nos gastos e a política fiscal.

Em sua fala, de acordo com a assessoria, Rogério Marinho destacou que o governo reconhece a necessidade de construção de uma solução para as famílias que hoje dependem da auxílio emergencial e que essa solução "será resultado de um amplo debate com o parlamento, em respeito à sociedade e às âncoras fiscais que regem a atuação do governo".

O ministério afirma ainda que o debate das últimas semanas "e o árduo processo" para construir uma proposta que garanta segurança alimentar dos mais fragilizados "é uma demonstração do amadurecimento e consolidação das instituições brasileiras que defendem a disciplina fiscal e a saúde econômica do país, preservando as contas públicas e o teto dos gastos".

"O próprio fato de a inclusão do Renda Cidadã no orçamento exigir um debate de tal magnitude e um trabalho de grande complexidade, mostra como evoluímos de forma salutar na adoção de salvaguardas para manutenção do equilíbrio fiscal", completa o órgão. .

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.