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Carla Araújo

Primeira Brigadeiro da FAB assume hoje; "pioneiras de 82 me inspiraram"

Brigadeiro Carla Lyrio, primeira mulher a assumir o posto na FAB   - Sargento Johnson/ Força Aérea Brasileira
Brigadeiro Carla Lyrio, primeira mulher a assumir o posto na FAB Imagem: Sargento Johnson/ Força Aérea Brasileira
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

25/11/2020 17h09

Atual diretora do Hospital Central da Aeronáutica (HCA), a médica Carla Lyrio Martins assumiu nesta quarta-feira (25) o posto de Brigadeiro e tornou-se a primeira Oficial-General da Força Aérea Brasileira (FAB). O anúncio oficial de sua promoção havia sido feito no dia 7 de outubro, com a decisão tomada pelo Alto-Comando da Aeronáutica.

"Quero honrar a história das pioneiras que ingressaram na FAB em 1982, quando foram criados os quadros femininos de oficiais e de graduados. Foram essas mulheres que abriram os caminhos para a minha chegada", disse a Brigadeiro à coluna.

Natural de Belo Horizonte (MG), Carla ingressou na Força Aérea em 1990 e foi a primeira mulher a comandar uma Organização Militar da FAB, em janeiro de 2015, quando recebeu o Comando da Casa Gerontológica Brigadeiro Eduardo Gomes (CGABEG), no Rio de Janeiro.

"Eu me considero um exemplo, um modelo que pode servir de inspiração para aquelas que almejam trilhar uma profissão que exige dedicação, mas que oferece oportunidades de crescimento profissional", diz.

"É possível galgar postos e cargos de grande relevância, participar de processos decisórios de maior abrangência e alcançar a realização profissional", completa, salientando que suas expectativas na posição de comando "são as melhores".

Segundo a Brigadeiro, os valores cultuados na caserna "são fortes e positivos, capazes de orientar rumo a objetivos audaciosos". "Hoje, às mulheres é facultado atuar em áreas extremamente interessantes: como combatentes, na saúde, no controle de tráfego aéreo, na administração, na manutenção e na condução de aeronaves. As possibilidades são infinitas", diz.

Carla lembra que participou de um concurso de âmbito nacional onde, pela primeira vez na história da Força, mulheres e homens concorreram com igualdade de oportunidades no ingresso para o quadro de oficiais médicos, farmacêuticos e dentistas. "Foi uma conquista pessoal importante a aprovação", diz.

Busca por igualdade

À coluna, o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, destacou o mérito da Brigadeiro Carla e que disse que há nas Forças Armadas a busca por igualdade de gêneros.

"A promoção da Brigadeiro Carla Lyrio é o reflexo da igualdade de direitos e deveres presente nas Forças Armadas. Graças ao seu esforço e profissionalismo, a militar escreve o seu nome na história da Força Aérea Brasileira", disse.

Atualmente, apenas 9% do efetivo das Forças Armadas é de mulheres. Ainda não há generais mulheres no Exército. Na Marinha, apenas duas chegaram ao posto de Almirante.

Currículo

Especialista em Medicina Aeroespacial, Hematologia e Hemoterapia, Carla possui Pós-Graduação em Vigilância Sanitária e Epidemiológica e em Desenvolvimento Gerencial na Gestão de Serviços de Saúde.

Além disso, integrou o corpo clínico do Esquadrão de Saúde da Academia da Força Aérea (AFA), da Base Aérea de Fortaleza, do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e do Hospital de Força Aérea do Galeão (HFAG).

"Encontrei muito mais do que esperava, vivi experiências únicas tanto na área técnica, como médica, quanto na área operacional", diz. Ela lembra que morou em cidades do Sul ao Nordeste do País. "Aprendi, cuidei, estudei, contribuí e amadureci como mulher, mãe, médica e militar", afirma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.