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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por pressão de ala ideológica, Bolsonaro vai tirar almirante da Comunicação

2.jul.2020 - Almirante Rocha ainda deve permanecer na secretaria de assuntos estratégicos - Isac Nóbrega/PR
2.jul.2020 - Almirante Rocha ainda deve permanecer na secretaria de assuntos estratégicos Imagem: Isac Nóbrega/PR
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

14/04/2021 16h34Atualizada em 14/04/2021 18h41

O presidente Jair Bolsonaro já informou ao almirante Flávio Rocha, que vinha acumulando o comando da Secom (Secretaria de Comunicação) e da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), sua decisão de substituí-lo da área que cuida da comunicação do governo.

A informação foi confirmada à coluna por dois auxiliares do presidente que admitiram que a decisão de Bolsonaro teve influência da chamada ala ideológica do governo e, principalmente, do vereador Carlos Bolsonaro, que estaria insatisfeito com o trabalho do Almirante.

Outra fonte ligada ao presidente salientou que o fato de o almirante estar acumulando as duas funções vinha aumentando a pressão para que o presidente indicasse outro nome para a SAE. Com isso, para preservar a sua função no órgão estratégico, o almirante preferiu se desligar da Secom.

Rocha estava de forma interina no cargo desde 11 de março quando Bolsonaro demitiu Fábio Wajngarten. O militar, que ainda é da ativa, chegou ao posto ao ganhar a confiança do presidente e também do ministro da Comunicações, Fabio Faria.

PM é cotado para o cargo

Segundo um auxiliar do presidente, o nome mais cotado para o cargo é do coronel da Polícia Militar do Distrito Federal André de Sousa Costa, amigo do ex-ministro da Secretaria-Geral Jorge Oliveira e que já ocupa um cargo de assessor-chefe adjunto no gabinete da Presidência.

O militar foi uma indicação de Jorge Oliveira, atualmente no TCU (Tribunal de Contas da União), que levou Costa a trabalhar no governo ainda quando era ministro palaciano.

Costa tem ligações também com os filhos do presidente e já trabalhou com o senador Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Almirante "sombra"

Amigo de Bolsonaro e apelidado de a "sombra do presidente", Flávio Augusto Viana Rocha teve uma ascensão meteórica dentro do Palácio do Planalto.

Rocha chegou à cúpula do Executivo federal no começo do ano passado e, pouco depois, foi designado para comandar a SAE (Secretaria de Assuntos Especiais), pasta que passou a ser subordinada diretamente à Presidência em fevereiro de 2020. A promoção ocorreu no período em que os militares começaram a isolar politicamente bolsonaristas tidos como a ala ideológica do governo.

Seu perfil é descrito por seus interlocutores como "discreto", "sociável" e "apaziguador".

Nnatural de Fortaleza. Ele já atuou como instrutor na Academia Naval dos Estados Unidos, em Annapolis (Maryland); foi diretor do centro de Comunicação Social da Marinha; e também subchefe de Estratégia do Estado-Maior da Armada.

O militar conheceu Bolsonaro em 2002, quando ocupava o posto de assessor parlamentar da Marinha na Câmara. À época, o atual presidente exercia mandato de deputado federal.

Entre as principais condecorações recebidas por Rocha na carreira militar estão a Medalha do Pacificador, a Ordem do Mérito Ministério Público Militar, a Ordem Nacional do Mérito da Marinha Francesa e a medalha Navy And Marine Corps Commendation Medal (Marinha dos Estados Unidos).