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Carla Araújo


Após Ramos, almirante próximo de Bolsonaro é pressionado a deixar a Marinha

2.jul.2020 - Presidente da República Jair Bolsonaro, cumprimenta o Vice-Almirante Rocha. - Isac Nóbrega/PR
2.jul.2020 - Presidente da República Jair Bolsonaro, cumprimenta o Vice-Almirante Rocha. Imagem: Isac Nóbrega/PR
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

02/07/2020 13h24Atualizada em 02/07/2020 15h39

Depois do incômodo gerado na caserna com militares da ativa no governo, principalmente em cargos políticos, o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, antecipou sua ida para a reserva e formalizou o ato ontem ao Comando do Exército.

A decisão de Ramos foi bem recebida nas Forças Armadas, mas ainda há pelo menos duas situações que têm causado incômodo: a longa interinidade do general Eduardo Pazuello na Saúde e a atuação cada vez mais próxima do presidente Jair Bolsonaro com o almirante de esquadra Flávio Augusto Viana Rocha.

No caso de Pazuello, fontes do ministério da Defesa reconhecem que ele ainda tinha ambições dentro do Exército e relevam o seu papel no governo "já que o momento de pandemia permite excepcionalidades".

Já a situação do almirante Rocha tem gerado desconforto entre alguns militares de alta patente. "Ele tem que tomar uma única e sábia decisão: ir para a reserva", disse um general que não faz parte do governo. "Militar da ativa ocupando elevados cargos passa para a sociedade a falsa ideia de que as Forças Armadas estão no Governo", completou.

Nomeado em fevereiro como secretário especial de Assuntos Estratégicos (SAE), Rocha foi promovido a almirante de esquadra em 31 de março deste ano, quando já atuava no Palácio do Planalto.

No comando do órgão que cuida de planejamentos estratégicos de Estado, o almirante tem desempenhado uma função de auxiliar direto do presidente, despachando inclusive de uma sala no terceiro andar, próximo a Bolsonaro. Muitas vezes fardado, Rocha também acompanha o presidente em algumas agendas externas.

Auxiliares do governo dizem inclusive que a nomeação de Carlos Decotelli ao Ministério da Educação aconteceu após forte apoio do almirante ao nome. Decotelli acabou tendo uma passagem relâmpago pelo cargo e o presidente ainda estuda nomes para o comando da pasta.

Segundo um auxiliar palaciano, que conhece bem o almirante, Rocha não teria "nenhuma intenção" em deixar a Marinha. "Ele foi promovido neste ano", lembrou, salientando que não vê desconforto na atuação do almirante no governo. Procurado pela coluna, Rocha não respondeu.

No Exército, onde a ordem continua ser de reforçar que a instituição faz um trabalho de Estado e não para o governo Bolsonaro, a ida de Ramos para a reserva foi vista como um distanciamento necessário.

Alguns militares lembram que Ramos seguiu o "bom exemplo" dado pelo ministro da Casa Civil, Braga Netto, que assim que aceitou o cargo anunciou sua ida à reserva.

"Era de se esperar que ele tomasse essa decisão ao decidir permanecer no governo", disse uma fonte do quartel-general do Exército. "Ele sai com todo o nosso respeito", completou.

Carla Araújo