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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Exército abre apuração disciplinar contra Pazuello após ato com Bolsonaro

23.mai.2021 - Bolsonaro discursa em um comício, no Rio, ao lado do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello - ANDRE BORGES / AFP
23.mai.2021 - Bolsonaro discursa em um comício, no Rio, ao lado do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello Imagem: ANDRE BORGES / AFP
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

24/05/2021 20h25Atualizada em 24/05/2021 21h17

Depois de um dia de conversas entre o ministro da Defesa, Braga Netto, o comandante do Exército, general Paulo Sérgio, e membros da cúpula militar ficou decidido que será aberto um procedimento disciplinar contra o general Eduardo Pazuello, para apurar as irregularidades de sua participação em um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro.

A informação foi confirmada pela coluna por militares ligados ao comandante e também ao ministério da Defesa.

Pazuello terá que formalizar por escrito suas explicações. Somente após sua manifestação, é que o comandante do Exército tomará uma decisão sobre uma punição ao general e ex-ministro da Saúde. Pazuello terá inicialmente até 72 horas para se manifestar depois de ser informado da abertura da investigação interna. O procedimento pode durar até 30 dias.

O prazo, no entanto, pode variar conforme a determinação do Comandante e o só passa a valer após a formalização ao envolvido, no caso Pazuello. "Pode haver prorrogação. Esse assunto de duração está em aberto", disse um general.

A punição pode ser julgada como transgressão leve, média ou grave. No final do processo, o Exército pode aplicar desde uma pena de advertência até mesmo determinar a prisão e exclusão das fileiras da Força.

Presidente pediu silêncio?

A expectativa ao longo do dia era que houvesse a divulgação de uma nota do Exército confirmando a abertura do processo, mas, no início da noite, foi informado que não haveria mais essa manifestação oficial.

Segundo a jornalista Eliane Cantanhêde, do jornal O Estado de S. Paulo, a decisão do Exército para não publicar a nota teria sido tomada após um apelo de Braga Netto feito a pedido do próprio presidente da República.

Fontes da Defesa, porém, tentam negar a influência tão direta de Bolsonaro sobre a atuação das Forças Armadas e afirmam que o ministério não teria razões para se pressionar o Exército, já que o caso envolve apenas uma "responsabilidade administrativa", que é do Exército.

Na avaliação de militares ligados ao ministro da Defesa, por se tratar de um "processo interno" não haveria necessidade de formalizar agora uma decisão.

A coluna procurou oficialmente o Exército, mas ainda não obteve retorno.

Apesar disso, fontes militares ouvidas pela coluna disseram que se ficar de fato provada uma interferência "neste nível" do presidente a imagem do Exército ficaria ainda mais arranhada.

O apelo entre integrantes do Alto Comando e de militares de alta patente é que o general Paulo Sergio aplique uma "punição exemplar" em Pazuello.