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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Ala do STF deve defender que não é papel da corte impedir Copa América

Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal (STF) - Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Fachada do edifício sede do Supremo Tribunal Federal (STF) Imagem: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

08/06/2021 21h39Atualizada em 08/06/2021 21h39

A tendência no Supremo Tribunal Federal (STF) é que a realização da Copa América no Brasil não seja barrada. A avaliação de pessoas ligadas ao STF e do Planalto é que a corte está sendo chamada a julgar casos polêmicos na pandemia, mas que, neste caso, não caberia ao STF arbitrar sobre a decisão.

Um ministro do Supremo, ouvido reservadamente pela coluna, afirmou que "não é papel do STF impedir o evento".

De acordo com fonte ligada ao tribunal, a corte deve ainda reafirmar que cabe ao Poder Executivo local deliberar sobre as medidas preventivas e de combate à covid. A avaliação é que a maior parte dos ministros deve acabar evitando o desgaste de impedir a Copa América às vésperas do evento.

Conforme mostrou a colunista do UOL, Carolina Brígido, o STF tem tomado decisões muito claras de apoiar as medidas protetivas e restritivas ao alastramento do coronavírus, mas no caso em questão uma decisão contrária ao acordo feito pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, com a Commebol, por meio da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), tende a agravar ainda mais a crise entre Executivo e Judiciário.

"O mais lógico seria imaginar que o Supremo fosse barrar a Copa América. Só que se o Supremo fizer isso, vai ser muito complicado porque tem jogo já marcado para o domingo. Vai implicar em uma conjuntura toda de reorganizar o torneio, que pode ficar desconfortável para o Supremo e pode acirrar as relações do Supremo com o Palácio do Planalto, que não são das melhores", disse.

Bolsonaro foi nesta terça-feira pessoalmente até o STF para uma conversa com o presidente da corte, Luiz Fux. A visita aconteceu logo depois que o STF marcou para quinta-feira (10) uma sessão extraordinária para tratar com urgência e decidir a respeito da realização ou não da Copa América no Brasil.

Oficialmente, o STF disse que Bolsonaro foi fazer uma visita de cortesia e que ouviu o pedido para que não indique o substituto do ministro Marco Aurélio antes da aposentadoria do magistrado.

Diferentemente do Supremo, o Palácio do Planalto não informou o teor da conversa nem divulgou a agenda.

Auxiliares palacianos dizem que não dá para garantir que Bolsonaro também fez um pedido a Fux, no caso a liberação da Copa América. Segundo um interlocutor do presidente, porém, é muito provável que ele tenha defendido a sua escolha pelo evento no país.