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Carla Araújo

REPORTAGEM

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Movimentos sociais encontram Guedes para apresentar 'universo das favelas'

Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante conversa com a imprensa, na sede do Ministério da Economia - Edu Andrade/Ministério da Economia
Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante conversa com a imprensa, na sede do Ministério da Economia Imagem: Edu Andrade/Ministério da Economia
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

12/07/2021 14h42

O ministro da Economia, Paulo Guedes, recebeu na última quinta-feira (8), em São Paulo, representantes de movimentos sociais que buscam incentivar o empreendedorismo nas favelas.

O convidado principal foi o fundador da Cufa (Central Única das Favelas), Celso Athayde, que já havia conversado por telefone com o ministro há algumas semanas para demonstrar que os trabalhadores informais podem ajudar na retomada da economia. Na reunião da semana passada, além de Athayde, participaram representantes de cerca de dez organizações.

À coluna, Athayde afirmou que apesar de uma posição crítica dos movimentos em relação ao governo do presidente Jair Bolsonaro, é preciso buscar o diálogo com todos e reforçar que os favelados também pagam imposto e merecem oportunidades.

O atual presidente da Cufa, conhecido como Preto Zezé, que também estava na reunião, disse que Guedes sinalizou "apoio total às iniciativas e inovações que as favelas sugerirem".

Segundo os representantes do movimento, no entanto, não houve promessas por parte do governo.

Preto Zezé disse ainda que eles não entregaram nenhum documento com propostas das favelas e que a ideia principal era apresentar ao ministro da economia o universo da favela. Segundo ele, muitas agendas voltadas para um público mais carente não retratam as reais necessidades da população.

"Era uma conversa para apresentar nosso universo, que muitas vezes é pautado por uma agenda que sequer conhecer estas experiências, não sabe da dificuldade do acesso ao crédito, da desburocratização, do investimento nestas inovações", afirmou à coluna.

Agendamento "on line"

O convite para a reunião presencial aconteceu de forma inusitada. Athayde fez uma publicação em suas redes sociais em que dizia que "a favela precisa debater sobre economia popular e o lugar dela urgente na retomada econômica brasileira" e que falar com economistas de "diferentes campos do pensamento é para ontem".

"Quero refletir e debater mais sobre os dramas sociais gerados pela pandemia na favela, pois são imensos. Superá-los vai exigir um novo modelo de desenvolvimento que reconheça a potência dos mais pobres para gerar dinâmicas produtiva, inclusão econômica e social", escreveu o fundador da Cufa que, na postagem, além da página do Ministério da Economia marcou algumas personalidades como ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e os ex-presidenciáveis Ciro Gomes e Marina Silva.

A assessoria do Ministério escreveu: "Prezado Celso, em nome do ministro Paulo Guedes, aceitamos com satisfação debater importantes temas propostos, tão relevantes, tanto para a retomada econômica, como para o desenvolvimento social de nosso Brasil. Para tanto o convidamos para uma reunião na próxima quinta-feira (8)".

Athayde afirmou que já estão sendo agendados encontros com Lula e Ciro para os próximos dias.

Guedes "Caco Antibes"

Durante o governo, o ministro da Economia foi acusado por diversas vezes de ter falas preconceituosas contra pobres, como de que "empregadas domésticas começaram a ir para a Disney" ou filhos de porteiros irem às universidades.

Algumas de suas declarações levaram o ministro a ser comparado nas redes sociais com o personagem do programa Sai de Baixo, Caco Antibes, que satirizava em tom de humor pessoas de classe baixa, com o bordão "Eu tenho horror a pobre".

Guedes se defende dizendo que suas frases são tiradas de contexto.