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Carla Araújo

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Governo vê 'zero chance' de greve dos caminhoneiros, convocada para domingo

Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

Do UOL, em Brasília

21/07/2021 17h18Atualizada em 21/07/2021 19h24

Novas ameaças de greve de caminhoneiros não estão assustando o governo. A avaliação é de que trata-se de mais uma tentativa de líderes "sem representação", que não tiveram sucesso em fevereiro e que não possuem legitimidade perante a categoria. "Zero chance", disse à coluna uma fonte que acompanha as articulações com os motoristas.

Líderes de alguns entidades estão se mobilizando para uma greve nacional no próximo domingo, com reivindicações como a redução do preço dos combustíveis, a efetivação do piso mínimo e a liberação de pedágio para veículos sem carga.

O ministério da Infraestrutura tem mapeado as ligações dos principais líderes da categoria e, segundo fontes do governo, foi constatado que a maior parte dos caminhoneiros que tenta inflar uma paralisação são filiados a partidos políticos de oposição ou busca visibilidade para as eleições de 2022.

A mesma avaliação de uso político havia sido feita pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, em fevereiro deste ano quando havia o receio de uma grande greve.

O ministro, que continua mantendo contato com alguns representantes dos caminhoneiros, tem dito que há dados que enfraquecem ainda mais uma possível greve neste momento.

A avaliação é de que a economia está aquecida, os portos estão cheios, a safra está batendo recorde e "ninguém quer parar de trabalhar com um cenário deste".

Em relação à reclamação do preço do Diesel, que sofreu reajuste neste mês, o governo acredita que o movimento, que tenta emplacar uma greve, usa o argumento como "cortina de fumaça" para tentar inflar a adesão.

O governo reconhece que caminhoneiros autônomos são um "elo mais fraco", mas diz que tem feito medidas para atender a categoria, mas que é preciso superar uma espécie de postura predatória na classe.

O ministro Tarcísio costuma dizer que a categoria precisa de adaptar a regra da oferta e da demanda e reconhece que no momento, mesmo com o aquecimento da economia, ainda há uma demanda ociosa que a categoria vem amargando.

Desde fevereiro, Tarcísio repete ao caminhoneiros que o governo não pode responsável por determinadas coisas que fazem parte da relação contratual entre o privado e o privado. "Se o frete está ruim, não é culpa do governo. É uma condição de mercado e ele precisa saber negociar", afirmou na ocasião, após um áudio vazado às vésperas do movimento em que o ministro falava que os caminhoneiros precisavam "desmamar" do governo.