Só para assinantesAssine UOL
Opinião

Ibovespa: IPCA, Petrobrás e discursos de dirigentes do Fed movimentam o dia

Esta é a versão online da newsletter Por Dentro da Bolsa enviada hoje (10). Quer receber antes o boletim e diretamente no seu email? Clique aqui. Os assinantes UOL ainda podem receber dez newsletters exclusivas toda semana.

********

No Brasil, o IPCA de outubro mostra que a inflação chega a 0,24%, impulsionada por alta das passagens aéreas. A inflação do país foi de 0,24% em outubro, após a alta de 0,26% no mês anterior. É o quarto mês seguido de taxas positivas do indicador. O maior impacto individual no resultado de outubro veio dos preços das passagens aéreas, que subiram 23,70% na comparação com o mês anterior. Esse item já vinha de uma alta de 13,47% em setembro. No ano, a inflação acumulada do país é de 3,75% e, nos últimos 12 meses, de 4,82% — dados do IPCA, divulgado hoje (10) pelo IBGE. Os resultados corporativos também devem movimentar o mercado acionário local, uma vez que empresas de peso divulgaram seus números do terceiro trimestre, como Petrobras, Bradesco e B3. O Ibovespa foi impactado negativamente ontem pela redução do otimismo em relação aos juros nos EUA após um discurso de Jerome Powell, presidente do FED. O mau-humor externo também teve efeito nas taxas dos DIs futuros, que fecharam o pregão de ontem em alta.

Nos EUA, os futuros dos principais índices das bolsas americanas apresentam leve queda. O mercado deve acompanhar os dados preliminares de Michigan sobre expectativa de inflação e confiança do consumidor no mês de novembro. Ao longo da manhã, investidores também acompanham discursos de membros do FED. Lorie Logan, do FED de Dallas, discursará às 09:30, enquanto Raphael Bostic, do FED de Atlanta, irá discursar às 11h. Hoje o mercado acionário americano adotou um tom mais negativo após as falas de Jerome Powell em um evento do FMI. Durante o seu discurso, ele afirmou que o FED ainda não está confiante de que a política monetária dos EUA está restritiva o suficiente para trazer a inflação para a meta de 2%, e que, caso a inflação se mostre resiliente, podem ocorrer novos aumentos na taxa de juros. Outro fator que aumentou a aversão a risco no mercado global foi a baixa demanda por títulos públicos de 30 anos dos EUA em um leilão realizado pelo tesouro americano ontem. Além do impacto no mercado acionário, esses fatores levaram a um aumento das taxas dos títulos públicos de 10 e 30 anos, devolvendo parte da queda das taxas que ocorreu desde a reunião do Fomc.

Na Europa, as bolsas operam no terreno negativo. Pesam sobre o mercado acionário europeu as falas de Powell durante o evento no FMI. Hoje, os investidores ainda devem acompanhar o discurso de Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, além dos discursos dos membros do FED. No Reino Unido, os dados preliminares mostraram uma estabilização do PIB no terceiro trimestre, acima das estimativas da Bloomberg de queda de 0,1%. Na comparação anual, o PIB cresceu 0,6%. A produção industrial do Reino Unido também ficou estável em setembro, um desempenho acima das estimativas de Bloomberg de queda de 0,1%.

Na Ásia, as bolsas fecharam em queda, repercutindo as falas de ontem de Jerome Powell. Em Tóquio, o Nikkei apresentou desvalorização de 0,24%. Em Hong Kong, o Hang Seng caiu 1,76%, enquanto na Coreia do Sul, o Kospi apresentou desvalorização de 0,72%. Na China continental, o Shangai Composto fechou em queda de 0,47%, e o Shenzen Composto caiu 0,42%.

O petróleo opera em alta. Apesar do desempenho positivo no início da manhã, a commodity deve fechar a semana em queda com as preocupações sobre a desaceleração da economia global. Já o minério de ferro apresentou alta em Dalian e deve fechar a terceira semana em alta, puxado pela perspectiva de melhora da economia chinesa com os estímulos econômicos implementados pelo governo local.

A Petrobras (#PETR4) apresentou uma receita de vendas de R$ 124,8 bilhões, uma queda de 26,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O lucro líquido no período foi de R$ 27,2 bilhões, uma redução de 42,2% na comparação anual. O resultado da companhia foi prejudicado na comparação anual pelos menores preços do petróleo e seus derivados. A produção da companhia no período alcançou 2,88 de MMboed, um crescimento de 9% na comparação anual e 9,2% em relação ao trimestre anterior. Após a divulgação dos resultados, a Petrobras revisou seu guidance para 2023. A produção própria total de óleo e gás passou de 2,6 para 2,8 milhões de boed, a produção comercial passou de 2,3 para 2,4 milhões boed e a produção de óleo e LGN foi de 2,1 para 2,2 milhões de bpd. O capex do período reduziu de US$ 16 bilhões para US$ 13 bilhões. O Conselho de Administração da companhia aprovou o pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) aos acionistas. O valor a ser pago totaliza R$ 1,34 por ação. A data ex-dividendos ocorrerá no dia 21 de novembro. Os pagamentos serão realizados em duas parcelas, uma no dia 20 de fevereiro de 2024 e a segunda parcela no dia 20 de março de 2024. A primeira parcela de pagamento será realizada da seguinte forma: (a) dividendos, de R$ 0,24 por ação ordinária e preferencial; e (b) juros sobre capital próprio de R$ 0,42 por ação ordinária e preferencial. Já a segunda parcela será integralmente paga sob a forma de dividendos.

O Bradesco (#BBDC4) apresentou uma margem financeira bruta de R$ 15,8 bilhões, uma queda de 2,5% na comparação anual. O lucro líquido recorrente no período foi de R$ 4,6 bilhões, uma queda de 11,5% ante o mesmo período do ano anterior. A queda na margem financeira e no lucro do banco é explicada pelo mix de produtos e menores spreads, fruto do conservadorismo do Bradesco na originação de crédito das safras recentes, e pelo maior nível de provisões, em decorrência do aumento da inadimplência no ano. A carteira de crédito do banco totalizou 877,5 bilhões, estável quando comparado com o 3T22. A taxa de inadimplência acima de 90 dias ficou em 5,6% no terceiro trimestre, alta de 1,7 ponto percentual ante o 3T22 e queda de 0,1 ponto percentual em relação ao último trimestre.

Continua após a publicidade

A B3 (B3SA3) apresentou uma receita líquida de R$ 2,25 bilhões, uma queda de 0,4% na comparação anual. O lucro líquido recorrente da companhia foi de R$ 1,16 bilhão, alta de 0,5% ante o mesmo período do ano anterior. Apesar da queda de receita no segmento de listados, os outros negócios da B3 conseguiram compensar parcialmente as perdas. O ADTV no 3T23 totalizou R$ 23,7 bilhões, uma queda de 9,1% na comparação anual. De acordo com a companhia, a queda no volume financeiro é explicada pelo cenário internacional mais desafiador, com o ciclo de aperto monetário nas principais economias refletindo em uma redução do apetite ao risco nos mercados de ações globais.

************

Veja o fechamento de dólar, euro e Bolsa na quinta-feira (09):

Dólar: 0,67%, a R$ 4,939
Euro: 0,34%, a R$ 5,269
B3 (Ibovespa): -0,12%, aos 119.034,14 pontos

NA NEWSLETTER UOL INVESTIMENTOS

Lua, filha da influencer e ex-BBB Viih Tube, tem apenas seis meses, mas já acumulou mais de R$ 1 milhão em uma conta em seu nome, segundo a mãe. Chegar a esse patamar tão cedo não é a realidade da maioria, mas especialistas afirmam que há muitas vantagens em se investir em nome dos filhos. Na newsletter UOL Investimentos você fica sabendo em quais produtos é possível fazer isso. Para se cadastrar e receber a newsletter semanal, clique aqui.

Continua após a publicidade

Queremos ouvir você

Tem alguma dúvida ou sugestão sobre investimentos? Mande sua pergunta para uoleconomiafinancas@uol.com.br.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

As opiniões emitidas neste texto são de responsabilidade exclusiva da equipe de Research do PagBank e elaboradas por analistas certificados. O PagBank PagSeguro e a Redação do UOL não têm nenhuma responsabilidade por tais opiniões. A única intenção é fornecer informações sobre o mercado e produtos financeiros, baseadas em dados de conhecimento público, conforme fontes devidamente indicadas, de modo que não representam nenhum compromisso e/ou recomendação de negócios por parte do UOL. As informações fornecidas por terceiros e/ou profissionais convidados não expressam a opinião do UOL, nem de quaisquer empresas de seu grupo, não se responsabilizando o UOL pela sua veracidade ou exatidão. Os produtos de investimentos mencionados neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão preencher o questionário de suitability para a identificação do seu perfil de investidor e da compatibilidade do produto de investimento escolhido. As informações aqui veiculadas não devem ser consideradas como a única fonte para o processo decisório do investidor, sendo recomendável que este busque orientação independente e leia atentamente os materiais técnicos relativos a cada produto. As projeções e preços apresentados estão sujeitos a variações e podem impactar os portfolios de investimento, causando perdas aos investidores. A rentabilidade obtida no passado não representa garantia de resultados futuros. Este conteúdo não deve ser reproduzido no todo ou em parte, redistribuído ou transmitido para qualquer outra pessoa sem o consentimento prévio do UOL.

Veja também

Deixe seu comentário

Só para assinantes