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País fecha 1,2 mi de vagas com carteira até maio, pior resultado desde 2010

Do UOL, em São Paulo

29/06/2020 14h52Atualizada em 29/06/2020 16h58

O Brasil fechou 331.901 postos de trabalho com carteira assinada em maio, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados hoje pelo Ministério da Economia. Foi o pior desempenho para o mês desde o início da série histórica, em 2010. Em relação a abril (-902.841 vagas), o número melhorou.

Com o resultado de maio, o corte de vagas acumulado em 2020 soma 1.144.875, o pior desempenho para o período também desde 2010.

Os números também representam um mergulho muito mais profundo que o registrado nos dois anos em que houve crise econômica. Considerando o mesmo período, foram fechadas 243.948 vagas em 2015 e 448.101 em 2016.

No ano passado, foram criadas 351.062 vagas com carteira assinada no país.

Serviços fecham 144 mil vagas; só agropecuária contrata

Em maio, quatro dos cinco grupos de atividades econômicas mostraram desempenho negativo, com destaque para serviços. Somente o grupo de agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura contratou no mês.

  • Serviços: -143.479 vagas
  • Indústria geral: -96.912
  • Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas: -88.739 vagas
  • Construção: -18.758 vagas
  • Agropecuária: +15.993 vagas

Governo diz que Brasil "começa sua retomada"

Para o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, ainda que os números não sejam motivo de comemoração, o Brasil pode ficar esperançoso, uma vez que, segundo ele, as medidas tomadas pelo governo para minimizar os efeitos da crise do novo coronavírus têm sido "corretas".

Podemos ficar esperançosos porque o Brasil começa sua retomada. As medidas implantadas estão sendo corretas, bem focalizadas e estão trazendo os resultados que o Brasil precisa no enfrentamento da pandemia.
Bruno Bianco, secretário especial de Previdência e Trabalho

Para o governo, são positivas as comparações com os números de abril.

Em maio, as contratações caíram 48% em relação ao mesmo mês de 2019, mas subiram 14% na comparação com abril. O crescimento mensal se deu em todos os setores, com destaque para construção (41,5%), agricultura (28%) e comércio (20,7%).

As demissões caíram 21% em relação a maio do ano passado e 31,9% na comparação com abril. A redução se deu especialmente no comércio (-36%), na indústria (-33,7%) e nos serviços (-33,1%).

Sul tem pior resultado

As cinco regiões do país perderam vagas com carteira assinada em maio. Proporcionalmente, o pior resultado foi registrado no Sul, com redução de 1,1% — ou -78.667 postos de trabalho. No Sudeste, foram fechadas 180.466 vagas com carteira assinada (-0,92%).

Na sequência, vêm Nordeste (-0,82%, -50.272 empregos), Norte (-0,58%, -10.151 empregos) e Centro-Oeste (-0,39%, -12.580 empregos).

Dos 27 estados, apenas o Acre abriu vagas em maio: foram 1.127 novos empregos.

Entre os estados com piores resultados estão Rio Grande do Sul (-32.106 empregos), Rio de Janeiro (-35.959 empregos), São Paulo (-103.985 empregos) e Minas Gerais (-33.695 empregos).

Informalidade atinge quase 30 milhões

A taxa de informalidade no Brasil subiu de 34,5% na última semana de maio para 35,6% na primeira semana de junho, atingindo 29,8 milhões de brasileiros. Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) Covid-19 divulgada na última sexta-feira (26) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O levantamento, feito com o apoio do Ministério da Saúde, é uma versão da Pnad Contínua que busca identificar os impactos do coronavírus no mercado de trabalho.

O IBGE também estimou que, na primeira semana de junho, 170 milhões de pessoas estavam em idade para trabalhar, mas somente 83,7 milhões estavam ocupadas. Na comparação com a última semana de maio, esses números permaneceram estáveis, e apontam que menos da metade (49,3%) estava trabalhando no início deste mês.

Além disso, caiu de 14,5 milhões para 13,5 milhões o número de pessoas ocupadas que estavam temporariamente afastadas do trabalho (em quarentena ou férias coletivas) devido ao isolamento social. Isso representa 16,1% do total de empregados do país.

Empregos e carreiras