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Empregos e carreiras

Como se destacar quando a empresa usa robôs para escolher currículos?

Do Na Prática*

20/12/2021 04h00

Uma pesquisa da Harvard Business School (HBS) revelou um dado alarmante sobre o cenário de contratações mundo afora. Segundo cientistas, cerca de 27 milhões de trabalhadores norte-americanos estão ocultos no mercado de trabalho.

O motivo? Os novos algoritmos de recrutamento, que, segundo os pesquisadores, escondem alguns profissionais ao fazerem suas buscas pelo melhor candidato possível. No caso das profissões de nível médio, o caso fica ainda mais grave. Encontrar trabalho na pandemia, quando tudo foi online, ficou mais difícil para 54% dos candidatos dessas profissões.

Mas por que isso ocorre? Os robôs são enviesados? Ou o problema está nas companhias?

Para tentar responder a essa questão, o Na Prática conversou com Camila Fares, especialista em recrutamento e seleção, que explicou como os algoritmos funcionam e quais são as dicas para ir bem nas seleções.

Como funcionam as contratações via algoritmo?

Algo importante sobre os algoritmos, segundo Camila, é que eles não devem excluir etapas presenciais de contratações, na maioria das funções, no longo prazo. Para ela, algumas "hard skills" e mesmo algumas "soft skills" podem ser melhor avaliadas com o "bom e velho olho no olho". Por isso, na avaliação da especialista, os processos seletivos tendem a ser híbridos como regra em algum momento.

Ainda assim, ela diz que o filtro inicial deve permanecer online e feito através de programas de computador que utilizam inteligência artificial. Com eles, o trabalho de avaliar milhares, às vezes milhões de currículos, fica muito mais fácil.

O que esses programas fazem é encontrar o perfil ideal entre os candidatos através da configuração do programa de filtragem com um conjunto de palavras-chave escolhidas por quem faz as seleções.

Ou seja: o recrutadores escolhem as palavras-chave que definem melhor o profissional ideal, e o programa retorna uma lista de currículos que mais se aproximam do ideal.

Camila diz, porém, que a contratação de pessoas de níveis menores de instrução fica prejudicada, já que a formulação de currículos por parte dessas pessoas não atende às diretrizes de busca das palavras-chave.

Todavia, a especialista diz que o problema não está nos robôs e que eles não têm viés algum. Eles dependem do que as pessoas por trás da seleção configuram em suas ferramentas de filtragem.

A opinião dela vai ao encontro ao que diz a pesquisa da HBS. Segundo o artigo, os profissionais que ficam ocultos, e que não são vistos pelas empresas, ficam nessa condição devido a "práticas de gerenciamento de longa data e amplamente difundidos."

Como se destacar nos processos seletivos que usam algoritmos?

Na visão de Camila, a principal arma para candidatos em processos seletivos de hoje em dia é estudar as descrições das vagas, analisando requisitos e habilidades necessárias para ela.

Ao fazer esse estudo, Camila explica, será possível elaborar um currículo que descreva experiências e habilidades conforme o tom de voz da empresa. Assim, o candidato poderá ser encontrado pelo algoritmo dos robôs com muito mais facilidade.

A dica serve não só para o currículo comum, mas também para o LinkedIn, que também é um campo de pesquisa para os robôs e que também precisa estar configurado com as melhores palavras-chave em uso pelos recrutadores.

Nessa toada, currículos modernos, em vídeo, áudio e outros, podem ser prejudicados, já que os robôs estão em busca de palavras-chave escritas e que tornam o currículo tradicional preponderante.

*O texto "Como vai funcionar o recrutamento do futuro, segundo esta especialista" foi originalmente publicado no portal Na Prática, da Fundação Estudar.

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