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Família estranha salmão comprado em mercado Extra, e exame encontra formol

Segundo etiqueta do hipermercado, o salmão comprado para o jantar em família estava dentro do prazo de vencimento - Arquivo Pessoal
Segundo etiqueta do hipermercado, o salmão comprado para o jantar em família estava dentro do prazo de vencimento Imagem: Arquivo Pessoal

Maurício Businari

Colaboração para o UOL, em Santos

15/12/2021 14h57Atualizada em 15/12/2021 17h03

A família do perito contábil Fernando Soares Salles enfrentou momentos difíceis após comprar um quilo de salmão em uma unidade do hipermercado Extra, em Santos, litoral de São Paulo. Descobriu-se, após a avaliação de uma perita farmacêutica e toxicologista, que o peixe estava em putrefação e ainda continha formaldeído, uma substância que, se ingerida, pode ser letal para os humanos.

O caso, ocorrido no dia 11 de setembro, foi encaminhado ao Ministério Público, para apuração. O perito também está movendo uma ação por danos morais e materiais contra o hipermercado.

O cunhado de Salles, que chegou a provar um pequeno pedaço do pescado ainda cru, para se certificar da qualidade do produto, relatou que foi parar em uma UPA da cidade, no dia seguinte, vomitando muito e com cólicas. Ele foi diagnosticado com uma intoxicação alimentar.

A família do perito pagou quase R$ 90,00 pelo quilo de salmão impróprio para o consumo em hipermercado no litoral - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
A família do perito pagou quase R$ 90,00 pelo quilo de salmão impróprio para o consumo em hipermercado no litoral
Imagem: Arquivo Pessoal

"Minha filha queria fazer um jantar para o meu genro e para mim. Ela pediu meu cartão e foi com ele até o Extra", contou Salles ao UOL.

Ela viu a embalagem de salmão na gôndola e decidiu que preparar o peixe seria uma boa ideia para a janta. Mas quando ela chegou em casa e abrimos a embalagem, um cheiro muito forte tomou conta da cozinha. Eu lavei várias vezes o salmão em água corrente e meu genro resolveu experimentar um pedaço para sentir o gosto. Resolvemos não comer. No dia seguinte, ele precisou de atendimento médico.

Salles diz que a sua família sempre toma muito cuidado ao comprar alimentos. E, no caso do peixe, não foi diferente. A etiqueta do produto indicava que ele havia sido embalado no dia da compra, 11 de setembro, com validade para até o dia 13 daquele mês. "Minha filha confiou na informação dada pelo hipermercado. Mas fomos enganados de forma criminosa", acusa o períto contábil.

Ele diz que procurou a unidade do hipermercado, tentou argumentar com os funcionários mas foi "destratado" e foi informado que, no máximo, eles poderiam trocar a mercadoria por outra. Salles afirma que tentou explicar que esse era um assunto sério, mas o responsável pelo hipermercado se mostrou irredutível.

Tive que chamar a polícia. E insisti para que os policiais fizessem um boletim de ocorrência. O que eles fizeram foi crime contra a saúde pública. Depois decidi enviar o peixe para uma toxicologista e perita farmacêutica, para que ela pudesse identificar o estado de putrefação da carne. Mas o resultado foi ainda mais chocante. O peixe estava embebido em formol, uma substância conservante que pode ser letal se ingerida.

Trecho do laudo assinado pela perita Paula Carpes Victório, que atestou a putrefação da carne do salmão e a presença do formol - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Trecho do laudo assinado pela perita Paula Carpes Victório, que atestou a putrefação da carne do salmão e a presença do formol
Imagem: Arquivo Pessoal

O laudo, assinado pela perita Paula Carpes Victório, atesta a existência do produto químico, geralmente utilizado, segundo ela, para mascarar a qualidade e a deterioração do produto, numa ação que ela chama de "fraude química". Ou seja, a substância confere aspecto saudável à peça, conserva por tempo prolongado, mas não evita sua deterioração.

Formol pode ser letal em qualquer quantidade

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na Portaria nº 185/1997, o uso de formaldeído para adulterar a apresentação da qualidade do produto ao consumidor é expressamente proibido. Em seu laudo, feito de forma independente a pedido da família, Paula Carpes Victório informa sobre os riscos de usar esse produto em alimentos.

"Formol ou formaldeído é uma substância química altamente tóxica para humanos por qualquer via de exposição, seja via oral, respiratória ou transcutânea. É um carcinógeno para humanos, grupo 1, desenvolvendo câncer de nasofaringe e leucemia. Quando ingerido, em condição aguda, por ser um depressor do Sistema Nervoso Central, causa alterações nas frequências cardiorrespiratórias por alta produção de dióxido de carbono após a primeira passagem hepática", diz a especialista, em um trecho do documento.

"Por conseguinte, náuseas, tonturas e desmaio podem ocorrer. Independentemente da dose ingerida e do estado clínico do indivíduo, a exposição é potencialmente fatal", continua a especialista, no laudo anexado à ação que Salles está movendo contra o hipermercado por danos morais e materiais.

"Não estou pedindo dinheiro a mais, apenas os R$ 89,57 que eu gastei com o salmão. Não é a indenização que me interessa, mas sim alertar a população sobre o que ela pode estar consumindo sem saber. E também fazer com que os estabelecimentos sejam mais responsáveis ao ofertar produtos perecíveis ao consumidor", avisa o perito.

O que era para ser um jantar em família poderia ter terminado de forma trágica. Se ingerindo apenas uma lasquinha do peixe meu genro foi parar na UPA, imagine se tivéssemos comido inteiro. Eu poderia não estar aqui mais para contar essa história. Se eu já era desconfiado com alimentos in natura vendidos em supermercados, agora então eu digo que nunca mais, nunca mais mesmo, minha família vai comprar carne, peixe ou qualquer produto perecível em supermercados.

Outro lado

O UOL encaminhou questionamentos para o Grupo Pão de Açúcar, responsável pela gestão do hipermercado Extra. Por meio de nota, o grupo afirmou que "as alegações não condizem com as normas e procedimentos operacionais relativos à qualidade e segurança alimentar previstos nas suas políticas internas e recomendados pelos órgãos competentes e que irá buscar mais informações a respeito para colaborar com as apurações para elucidar os fatos".

A Vigilância Sanitária de Santos também foi questionada sobre ações de fiscalização nos estabelecimentos da cidade e respondeu, por meio de nota, que a Secretaria de Saúde não foi informada do caso. "Não há registro desta ocorrência na Vigilância Sanitária". E ressaltou que, ao notar qualquer irregularidade, o munícipe deve entrar em contato com a Vigilância Sanitária via Ouvidoria Pública (pelo telefone 162 ou no site da Prefeitura) para o registro da reclamação.

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