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De volta ao batente: as inesperadas profissões dos atletas olímpicos

Pablo Uchoa

  • Montagem/ BBC

Para muitos atletas olímpicos, conseguir chegar aos Jogos já representa a realização de um objetivo de vida. Um sonho que muitos tiveram de dividir com um emprego convencional durante anos e meses de preparo atlético.

São pessoas que agora estão voltando ao batente. Abaixo, saiba o que alguns atletas fazem para ganhar a vida e, em alguns casos, para bancar o sonho olímpico.

A moça do marketing

Nascida na Colômbia e criada na Suíça, Nathalie Marchino trabalha no departamento de marketing do Twitter, na Califórnia.

Ela jogou pela seleção de rúgbi de sete da Colômbia. Aos 35 anos, é uma das mais experientes atletas da equipe. No passado, jogou também pela seleção norte-americana de rúgbi sete.

No Rio, ela teve uma participação discreta em cinco partidas. A seleção colombiana foi eliminada na primeira rodada.

"Combinar meu trabalho com o rúgbi faz parte da minha realidade há tanto tempo que já aceitei que é isso mesmo", disse, sobre a extenuante carga horária que divide entre o esporte e o emprego.

'Corro de casa em casa'

Nascida no Irã e refugiada na Bélgica, Rahaleh Asemani tinha garantida sua ida aos Jogos, mas, até dois dias antes da competição, não sabia qual país representaria.

Ela considerava representar o time olímpico de refugiados, quando finalmente obteve seu registro como belga.

"Trabalho como carteira, corro de casa em casa entregando cartas", disse a atleta, que chegou à semifinal do taekwondo categoria menos de 57 kg, mas acabou perdendo a luta pela medalha de bronze.

Do agito à meditação

O japonês Kazuki Yazawa diz que sua principal ocupação é estudar o budismo, e que usa o tempo livre para praticar canoagem. Ele pôs à prova sua força e sua destreza na competição de slalom K1 no Rio, que o levaram ao 11º lugar na semifinal.

Quando não está remando contra fortes correntes e redemoinhos, Yazawa se dedica a uma ocupação bem menos agitada: se prepara para ser sacerdote budista.

"Decidi que este seria meu trabalho principal e que minha vida como canoísta seria no meu tempo livre", disse ele, antes de viajar ao Rio.

Mãos prodigiosas

Michelle Carter mantém um estúdio de maquiagem profissional nos Estados Unidos, ao qual dedica seu tempo quando não está lançando a bola de metal de 4 kg do arremesso de peso.

As mãos de Michelle Carter são poderosas. Ela ganhou a medalha de ouro no Rio graças a um lançamento de 20,63 metros de distância, mais de 20 cm acima da marca de sua rival mais próxima.

Quando não está treinando com o peso, Carter sustenta delgados pincéis em seu estúdio de maquiagem profissional. Além disso, ela tem uma linha própria de produtos, Shot Diva.

"Acredito que quando alguém toma tempo para cuidar de si mesmo, está aumentando sua confiança", diz Carter.

Analistas de negócios

A norte-americana Maya Dirado foi uma das atletas mais bem sucedidas no Rio: ganhou o ouro nos 200 m costas, ouro no revezamento 4x200 m livre, prata nos 400 m medley individual e bronze nos 200m medley individual.

Mas a nadadora Dirado é também um analista de negócios formada pela Universidade de Stanford. Trabalha em uma empresa de consultoria na Califórnia, para onde volta em setembro.

Outros profissionais vitoriosos (no esporte e fora dele)

A também norte-americana Gwen Jorgensen ganhou o ouro no triatlo feminino nos Jogos do Rio. Desde 2010, contudo, ela trabalha como contadora em uma empresa da cidade de Milwaukee, nos EUA.

Por sua vez, Gerek Meinhardt, bronze com a equipe de esgrima norte-americana no Rio, atua como analista de risco de uma empresa de consultoria em San Francisco.

Ele se formou com louvor pela Universidade de Notre Dame, onde fez um mestrado em administração. Em 2014 foi o número 1 do mundo na esgrima.

O companheiro de equipe de esgrima Miles Chamley-Watson que também ganhou o bronze, é modelo profissional.

Outro caso de atletas com trabalhos convencionais é o de Matthew Abood, nadador australiano que no Rio ganhou a medalha de bronze no revezamento 4x100 m livre. Ele divide o tempo treinando nas piscinas e trabalhando como analista de negócios no banco do Commonwealth na Austrália.

E, embora não tenha levado medalhas para casa, a corredora canadense Lanni Marchant, advogada graduada pela Universidade de Ottawa e pela Universidade de Michigan, competiu a prova dos 10 mil metros e a maratona.

Com a ajuda do público

Curiosamente, os EUA, país que mais ganhou medalha nos Jogos do Rio Olímpicos, não têm um programa de governo para apoiar seus atletas. Isso fez com que alguns pedissem ajuda financeira na internet.

Por meio de um site de financiamento coletivo, Jeremy Taiwo pediu doações para levantar US$ 15 mil para custear os gastos no Rio, onde competiu o decatlo. Arrecadou US$ 54 mil.

Atletas como Taiwo, que querem dedicar tempo integral ao seu esporte, precisam de patrocinadores.

O jogador de futebol paralímpico Gregory Brigman também pediu ajuda online, mas a resposta tem sido muito diferente: da meta de US$ 6 mil, conseguiu US$ 2.600.

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