PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Empregos e carreiras

Governo: Mais do que demissão, problema do emprego foi queda na contratação

Filipe Andretta*

Do UOL, em São Paulo

27/05/2020 16h36

Números divulgados nesta quarta-feira (27) mostram que, por causa da crise causada pelo coronavírus, o mês de abril teve o pior resultado de empregos com carteira já registrado pela pesquisa desde 1992. Apesar do recorde negativo, a equipe técnica do governo avalia que o aumento no número de demissões não foi tão ruim como se poderia esperar, graças aos programas de preservação de emprego. Contudo, como as empresas estão menos dispostas a contratar, houve uma queda brusca no número de admissões.

Os dados mostram que, em abril deste ano, houve 1,46 milhão de demissões de empregados com carteira assinada —um aumento de 17,2% em relação a abril de 2019. Por outro lado, o número de admissões foi de apenas 598 mil, o que representa uma queda de 56,5% em relação às contratações em abril do ano passado.

A diferença entre admissões e demissões resultou no saldo negativo de 860,5 mil empregos com carteira assinada em abril de 2020, um reflexo da crise econômica que acompanha a pandemia de covid-19.

"É um número duro, mas que traz em si algo positivo: ele demonstra que o Brasil, diferentemente de outros países, está conseguindo preservar emprego e renda", disse Bruno Bianco, secretário especial de Previdência e Trabalho. "No entanto, também pelos mesmos motivos de pandemia, nós não estamos conseguindo manter os mesmos níveis de contratação de outrora."

Bianco afirmou que a situação é atípica. "Vamos trabalhar para ter o mesmo nível de contratação do início do ano".

Programa pode ser prorrogado

O secretário Bianco disse que, "por ora", não se pode pensar na prorrogação do Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda do governo federal. Segundo ele, a decisão sobre a ampliação ou não dos prazos do programa será tomada em momento oportuno, junto ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da República, Jair Bolsonaro.

No programa, o governo federal paga um Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm) para os trabalhadores que tiveram seus contratos de trabalho suspensos em razão da pandemia, ou que tiveram redução proporcional de jornada de trabalho e de salário.

"O governo avalia que de fato é um programa muito exitoso", disse o secretário. "Se vai ser ou não ampliado, isso no momento oportuno é uma decisão que tomaremos em conjunto com o ministro e o presidente da República, e aí sim, também com as medidas de retomada."

*Com Estadão Conteúdo

Empregos e carreiras