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Comércio e indústria dizem que 'tarifaço' de Trump pode beneficiar o Brasil

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)*

02/04/2025 21h12

Entidades de comércio, indústria e comércio exterior reagiram ao tarifaço anunciado hoje pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avaliando que o Brasil pode sair beneficiado se souber aproveitar oportunidade para expandir negócios com outros países. Produtos de todas as partes do mundo vão pagar taxa para entrar nos EUA a partir de sábado. Os importados do Brasil foram taxados em 10%.

O que aconteceu

Decisão é "lamentável do ponto de vista global", mas pode beneficiar o Brasil. Opinião é da FecomercioSP (Federação do Comércio, Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo). "As notícias não são tão ruins, já que muitas nações terão dificuldades em levar seus produtos aos EUA. O governo brasileiro deve se valer da conjuntura tarifária vinda dos Estados Unidos para assinar acordos bilaterais, diminuir tarifas e facilitar mecanismos aduaneiros", prevê, em nota divulgada nesta noite.

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Entidade avalia que o Brasil deveria aproveitar o momento para ampliar relações comerciais, sobretudo, no Japão, na China e na União Europeia. Elevação das tarifas sobre bens básicos, por exemplo, deve desencadear uma inflação generalizada nos preços do mercado interno americano, enquanto as medidas sobre as importações de aço impactarão toda a cadeia dependente dessa matéria-prima. Sem contar algumas commodities essenciais que, mais caras, vão afetar diretamente o orçamento das famílias de baixa renda.

Indústria se mostrou preocupada e defende negociação do Brasil com governo americano. Nota da CNI (Confederação Nacional da Indústria) assinada pelo presidente, Ricardo Alban, informou que uma missão de empresários do setor visitará os Estados Unidos na primeira quinzena de maio. O objetivo é estreitar laços e buscar soluções de interesse comum. "No entanto, precisamos fazer uma análise completa do ato. É preciso insistir e intensificar o diálogo para encontrar saídas que reduzam os eventuais impactos das medidas", acrescentou.

CNI observa que os Estados Unidos não são só o principal destino das exportações da indústria de transformação —especialmente de produtos de maior densidade tecnológica, como também lideram o comércio de serviços e os investimentos. A cada R$ 1 bilhão exportado para os EUA, são criados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,6 bilhões em produção.

Associação das empresas que realizam comércio exterior recebeu com alívio o anúncio de que o Brasil ficou no piso das tarifas recíprocas. "A taxa veio menor do que a gente imaginava, ainda que maior do que seria adequado", afirma José Augusto de Castro, presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil). Segundo Castro, diante das tarifas mais altas a concorrentes, é possível que o "tarifaço" de Trump melhore a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano. Uma das possibilidades é as matrizes dos Estados Unidos importarem mais das filiais do Brasil.

O "tarifaço"

Segundo Trump, foi feito um cálculo médio de todos os valores cobrados, e esse número foi considerado para a taxa dos Estados Unidos. O Brasil será taxado em 10% em todos os produtos importados pelos EUA. Mas, ainda não ficou claro como ficará a situação do aço, taxado em 25% no mês passado.

Após assinatura da ordem executiva e entender como será taxação, Brasil vai continuar negociação com Trump O encontro está previsto para semana que vem.

Tarifaço de Trump era promessa de campanha e começou a tomar forma em fevereiro. Um memorando publicado pelo presidente falava sobre taxar países que cobram tarifas consideradas "injustas" pelos americanos, além de adotar a reciprocidade dependendo dos produtos.

* Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo

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