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Volume de exportações de aço do Brasil para EUA deve cair 20% em 2018 com sistema de quotas

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - As condições impostas pelos Estados Unidos para as exportações brasileiras de aço ao país devem fazer o volume vendido ao mercado norte-americano cair 20% neste ano, segundo números divulgados nesta quarta-feira (2) pela associação que representa as siderúrgicas do Brasil, IABr.

O setor decidiu aceitar a alternativa de "hard quota" apresentada pelos EUA para que suas exportações não sofram incidência de uma sobretaxa de 25%.

O sistema, que segundo o IABr não é previsto no sistema de regras da OMC (Organização Mundial de Comércio), define um limite de volume de vendas de aço pelo Brasil aos EUA, com base em uma média de exportações de anos anteriores. Acima deste limite, não é possível mais exportar, nem pagando tarifa.

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"Em linhas gerais estamos falando em (quota de aços) semiacabados de 3,5 milhões de toneladas e para acabados... 496 mil toneladas", disse o presidente-executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, em teleconferência com jornalistas.

Ele se referiu à projeção de exportações do Brasil para os EUA em 2018, considerando as quotas e o volume que já está bloqueado por medidas antidumping norte-americanas tomadas anos atrás. Em 2017, o setor afirma que as exportações de aço para os EUA somaram cerca de 5 milhões de toneladas.

EUA interrompem negociações

Mais cedo, os ministérios da Indústria e Comércio Exterior e Serviços e de Relações Exteriores denunciaram em nota conjunta que os EUA interromperam na quinta-feira (30) as negociações sobre tarifas impostas pelo governo de Donald Trump e que "medidas restritivas não seriam necessárias e não se justificariam sob nenhuma ótica".

Lopes afirmou que o período de 2015 a 2017 foi definido pelos EUA para a balizar a criação das cotas e que os norte-americanos deverão criar um sistema de monitoramento para avaliar eventuais mudanças nos limites de exportação caso seja necessário.

A posição do setor siderúrgico brasileiro difere da tomada por produtores de alumínio do Brasil, que preferem ser sobretaxados em 10% a terem de reduzir as exportações neste ano em cerca de 10 mil toneladas.

Na avaliação do presidente-executivo da Abal, que representa as usinas de alumínio do Brasil, Milton Rego, os norte-americanos implementaram "uma negociação ao estilo Al Capone. Você consegue resultados melhores com um revólver apontado na cabeça".

Era 'pegar ou largar', diz entidade

Lopes, do IABr, que classificou as condições de negociação com os EUA como sendo de "pegar ou largar", disse que de modo geral, a opção de quotas para produtos semiacabados de aço "não é de todo ruim", uma vez que com base na média de exportações de 2015 a 2017 haverá redução de 7,4% no volume de 2018 sobre o ano passado.

Cerca de 80% das 5 milhões de toneladas de aço vendidas aos EUA no ano passado foram de semiacabados. No caso de acabados, deve haver uma queda de 20% a 60% no volume este ano dependendo do produto.

Segundo ele, quando os detalhes do sistema de quotas forem combinados, os volumes passarão a contar desde o começo de 2018. Lopes não comentou o tamanho das exportações para os EUA até agora no ano e afirmou que o setor deve iniciar nesta semana discussões sobre como ficará a distribuição das quotas de exportação entre os fabricantes do país.

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