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Mourão lamenta "profundamente" ausência de Salles em reunião do Conselho da Amazônia

Mourão admitiu que os indicadores de desmatamento nos meses de março e abril pioraram - Isac Nóbrega/PR
Mourão admitiu que os indicadores de desmatamento nos meses de março e abril pioraram Imagem: Isac Nóbrega/PR

26/05/2021 18h22

BRASÍLIA (Reuters) - O vice-presidente e coordenador do Conselho Nacional da Amazônia, Hamilton Mourão, disse nesta quarta-feira lamentar "profundamente" o fato de o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, não ter participado da reunião do colegiado, em meio a críticas dentro e fora do país de falta de empenho do Brasil em combater o desmatamento na região amazônica.

"Nós precisamos de cooperação, foi o que conversei com os ministérios aqui presentes. Lamento profundamente a ausência do ministério mais importante e que não compareceu à reunião hoje nem não mandou representante, que é o Ministério do Meio Ambiente, lamento profundamente", disse Mourão.

O Brasil tem sido pressionado por governos e investidores a aperfeiçoar sua atuação no combate ao desmatamento e queimadas na região sob pena de não haver a ratificação, por parte de países europeus, do acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul.

Não bastasse isso, por ordem do Supremo Tribunal Federal, o ministro do Meio Ambiente foi alvo na semana passada de uma operação de busca e apreensão de documentos e materiais eletrônicos em seus endereços, além de ter tido quebrado sigilos bancário e fiscal de janeiro de 2018 até maio deste ano.

Um dia depois da operação e sem se referir diretamente a ela, o presidente Jair Bolsonaro chamou Salles de "excepcional ministro" e se queixou de dificuldades que ele tem tido com "setores aparelhados" do Ministério Público.

Durante a entrevista coletiva do conselho, questionado sobre a investigação que envolve Salles, Mourão preferiu não se manifestar diretamente. Afirmou que é preciso aguardar o resultado das apurações. "Ninguém pode condenar o ministro a priori", disse.

INDICADORES

O vice-presidente admitiu que os indicadores de desmatamento nos meses de março e abril pioraram e que neste mês a situação "não está boa". Ainda assim, ele disse que pretende se empenhar para garantir uma redução do desmatamento na região em 15% até julho, conforme havia proposto, e que se for necessário vai recrutar o uso das Forças Armadas.

O vice-presidente disse que vai avaliar pelos próximos 8 a 10 dias se vai fazer a requisição das Forças Armadas e destacou que elas, se forem acionadas, têm condições de "imediatamente entrarem em ação".

O coordenador do grupo disse que o projeto de regularização de terras poderá reduzir a burocracia para o setor, embora não mexa nos pilares do Código Florestal. "De acordo com a avaliação da nossa equipe, é uma lei visando a desburocratização de determinados empreendimentos sem mexer no principal instrumento que é o Código Florestal."

(Reportagem de Ricardo Brito)